Comércio aposta em crescimento de 15% nas vendas de fim de ano

Ganhos salariais, queda de preços e expansão da oferta de crédito alimentam otimismo dos empresários

Marcelo Rehder, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2024 | 00h00

O crescimento vigoroso da economia na primeira metade do ano e a perspectiva de que deve ser mantido o aumento da massa de salários e da oferta de crédito levam empresários da indústria e do comércio a apostarem num Natal com vendas até 15% maiores que as do mesmo período de 2006. Esse otimismo baseia-se também na perspectiva de queda nos preços de vários bens de consumo, como TVs de LCD e plasma e computadores, que devem chegar às prateleiras das lojas custando menos do que no Natal passado.A Semp Toshiba, uma das líderes de vendas de TVs no País, espera um aumento de 15% no faturamento de televisores e aparelhos de som nos próximos meses, o que exige uma taxa de crescimento ainda maior da produção.O diretor comercial da Semp Toshiba, Luís Freitas, acredita que o mercado vai absorver toda a produção, principalmente de TVs de tela plana e LCD, cujas vendas têm crescido com a redução de preços provocada pelo aumento da escala e barateamento das peças e componentes comprados no exterior. A valorização do real em relação ao dólar também acirrou a concorrência das importações, principalmente da Ásia, cujos preços ficaram ainda mais atraentes com a escalada da moeda nacional.Nesse cenário, não há aumento de custos para ser repassado às encomendas de fim de ano. Ao contrário, a expectativa da Semp Toshiba é de que seus produtos estejam em média 20% mais baratos que no Natal passado. No caso de TVs de LCD e DVD players, os preços estão 35% menores.As Casas Bahia, maior rede de varejo de eletroeletrônicos e móveis do País, esperam crescimento de 10% nas vendas de novembro e dezembro em relação a igual período de 2006.Michael Klein, diretor-executivo das Casas Bahia, conta que a rede aposta no aumento da demanda por TVs de 29 polegadas para cima, de tela plana, LCD e plasma, além de celulares, câmeras digitais, computadores e DVD players. A venda de computadores já acumula crescimento de 60% até agora.Nas Lojas Cem, a expectativa é de aumento de 15% nas venda de fim de ano. ''''Vai ser o Natal das TVs de plasma e LCD'''', acredita Valdemir Colleone, supervisor-geral da rede.Para Colleone, o sonho de consumo desses aparelhos está mais ao alcance do brasileiro, graças à redução dos preços e ao aumento da oferta de crédito com prazos para pagamento mais dilatados. As TVs de LCD e plasma, que no ano passado representaram só 1% das vendas de televisores, hoje já respondem por 10% do mercado. ''''Vamos ter outros produtos que também estão vendendo bem, como computadores, câmeras digitais e celulares'''', acrescenta o executivo.A Motorola, um dos maiores fabricantes de celulares no País, trabalha a plena carga para fazer frente às encomendas do mercado, que prevê um aumento de 10% nas vendas de fim de ano. ''''A demanda está bem aquecida e acreditamos que, mais uma vez, o celular será um dos produtos mais vendidos no Natal'''', diz Loredana Mariotto, diretora de Marketing e Varejo da Motorola.A menos de três semanas do Dia da Criança, cujo desempenho é considerado um termômetro para as vendas de brinquedos no Natal, os fabricantes estão animados. Na Estrela, a expectativa é de crescimento acima da média do mercado, tanto para o Dia da Criança quanto para o Natal. ''''No primeiro semestre, nosso faturamento aumentou 35%, enquanto o mercado cresceu 8%'''', diz Carlos Tilkian, presidente da Estrela.Trata-se de uma situação atípica, porque a empresa vem se recuperando de uma crise provocada pela invasão dos brinquedos chineses, há cerca de dois anos. Não por acaso, a empresa comemora a proibição das importações de brinquedos da Mattel, fabricante das bonecas Barbie e principal concorrente da Estrela. ''''A perspectiva para o Natal, que já era boa, agora ficou melhor ainda.''''PANETONESNa semana passada, a Cooperativa de Consumo (Coop) de Ribeirão Pires, no ABC paulista, iniciou a produção de 400 toneladas de panetones para as festas, volume 3% maior que o de 2006. Com mais de 1,33 milhão de cooperados, a Coop é considerada a maior cooperativa de consumo da América LatinaPara reforçar a produção, a Coop contratou 30 temporários e vai contratar mais 24 para a área de degustação na segunda quinzena de outubro. O auxiliar de cozinha Jefferson Farat, de 27 anos, foi um dos contratados.''''Estava desempregado há mais de um mês e agora vou ter como comprar um presente melhor para a minha noiva'''', diz Jefferson, que espera ser efetivado pela Coop após o período como temporário.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.