Tom Brenner/Reuters
Tom Brenner/Reuters

finanças

E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

Comércio bilateral entre Brasil e Estados Unidos tem o pior desempenho em 11 anos

Sob efeito da pandemia, as trocas comerciais tiveram queda de 25,1% de janeiro a setembro na comparação com o mesmo período do ano passado

Érika Motoda, O Estado de S.Paulo

14 de outubro de 2020 | 13h43
Atualizado 15 de outubro de 2020 | 17h54

O comércio bilateral entre Brasil e Estados Unidos em 2020 teve o pior desempenho dos últimos 11 anos, segundo dados da Câmara Americana de Comércio (Amcham Brasil) compilados no estudo “Monitor de Comércio Brasil-Estados Unidos”. As trocas comerciais foram de US$ 33,4 bilhões de janeiro a setembro deste ano, uma contração de 25,1% em comparação com o mesmo período do ano passado.

As exportações brasileiras para os Estados Unidos foram de US$ 15,2 bilhões; se comparado com o mesmo período do ano passado, o valor é 31,5% menor. As importações americanas foram de US$ 18,3 bilhões, o que representa uma redução de 18,8%. 

O saldo negativo de US$ 3,1 bilhões para o Brasil consolida o déficit bilateral para 2020, que pode ser o pior dos últimos seis anos, diz o estudo. Ainda assim, os Estados Unidos continuam sendo o segundo principal parceiro comercial do Brasil, respondendo por 9,7% das vendas totais do País, perdendo apenas para a China, cuja fatia subiu para 28,8%. 

A Amcham cita que os efeitos da pandemia, a queda do preço do petróleo e restrições do comércio em setores como o da siderurgia levaram ao desempenho negativo do comércio. 

As maiores quedas nas exportações brasileiras foram na venda de óleos brutos de petróleo (menos US$ 1,4 bilhão), aeronave (menos US$ 893 milhões), óleos combustíveis (menos US$ 773 milhões) e semi-acabados de aço (menos US$ 631 milhões). 

Do lado das importações, o Brasil diminuiu as compras de óleos combustíveis (menos US$ 1,7 bilhão), carvão não aglomerado (menos US$ 450 milhões) e compostos organo-inorgânicos (menos US$ 116 milhões). O tombo das importações se concentrou no terceiro trimestre, com a redução de 41,6% das importações. Até o primeiro semestre, a queda havia sido de 4,4% devido à aquisição de uma plataforma de petróleo de US$ 1,2 bilhão.

A projeção é que as exportações brasileiras caiam entre 27% e 30% até o fim do ano; e as importações, entre 20% e 22%. O déficit para o Brasil ficaria entre US$ 2,4 bilhões e US$ 2,8 bilhões. 

Três perguntas para

Deborah Vieitas, CEO da Amcham Brasil

Tivemos um dos piores desempenhos em uma década, e o cenário econômico e político em ambos os países está turbulento. Há perspectiva de melhora? 

Nossa avaliação é de que o pior no comércio bilateral já ficou para trás. O baque foi duro nas exportações e importações. Ainda assim, o comportamento das trocas entre Brasil e EUA mostrou maior resiliência desta vez do que na crise anterior de 2009. No acumulado deste ano, o comércio bilateral está caindo 25%. Em igual período de 2009, havia encolhido mais que o dobro (55%). A perspectiva daqui para frente é de melhora, com recuperação gradual das trocas bilaterais.

Quais cenários traçam para o comércio entre Brasil e EUA, dependendo do resultado da eleição presidencial norte-americana?

O cenário para o comércio bilateral é favorável, independente do resultado das eleições nos EUA. Nossos países são parceiros econômicos importantes e de longa data. Temos um estoque mútuo de investimentos que supera US$ 110 bilhões. As empresas brasileiras e americanas seguirão fazendo negócios, investindo e comercializando entre si tanto em uma administração republicana como democrata. O interesse econômico é um impulso poderoso e pragmático. É claro que os governos também desempenham um papel relevante, sobretudo o de criar melhores condições para o desenvolvimento dos negócios e maior integração comercial. Esperamos, em breve, ter avanços nesse sentido, inclusive a conclusão nos próximos dias de uma acordo comercial sobre temas não tarifários

Enquanto a fatia dos Estados Unidos diminuiu, a da China – que já é nosso principal parceiro comercial – aumentou. O que isso significa? 

Estamos vivendo uma situação conjuntural muito específica. A crise econômica atual tem impactado mais fortemente o comércio internacional de bens com maior valor agregado. O fluxo global de alimentos e insumos básicos tem sofrido menos e, em alguns casos, até crescido. Essa situação explica em muito a diferença entre o comportamento do comércio do Brasil com os EUA e com a China. Com os americanos, ao contrário da China, temos um perfil de trocas mais diversificado, com predomínio de produtos manufaturados e grande participação de vendas intracompany. De qualquer maneira, é importante que o Brasil busque aumentar a diversificação de seu comércio exterior. Neste caso, mais é mais.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.