Comércio de olho no 13º salário

Lojas e financeiras já iniciaram a corrida para captar o 13º salário do consumidor. Os alvos dessa disputa são tanto os clientes inadimplentes interessados em renegociar as dívidas, quanto os consumidores que estão com contas em dia, mas só poderão embolsar esse salário extra em dezembro. Em ambos os casos, o objetivo das lojas e das financeiras é um só: antecipar em mais de dois meses o sonho de consumo que seria concretizado só no fim do ano e, com isso, ganhar fatia de mercado. E esse esforço compensa: o potencial de vendas pode aumentar em cerca de 50% quando as lojas reabilitam o crédito de clientes inadimplentes. "Hoje está mais fácil renegociar créditos em atraso do que assumir novos financiamentos", diz o economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Emílio Alfieri. Esse diagnóstico baseia-se no fato de o índice do número de carnês em atraso recuperados ter crescido, nos últimos três meses, em ritmo superior ao das novas consultas para vendas a prazo. Desde junho, por exemplo, o número de carnês reabilitados cresce na faixa de 40% a 50% em relação ao mesmos meses do ano passado, enquanto as consultas para novos crediários aumentaram entre 3% e 10% no período, segundo dados da ACSP. "Nos três últimos meses, houve um estouro no volume de cancelamentos", afirma Alfieri, que atribui a retomada à recuperação do emprego.Na análise do economista, essa estratégia das lojas e das financeiras é um bom negócio. De acordo com pesquisa realizada pela entidade em março deste ano com clientes que tinham renegociado as dívidas em atraso, 48% deles declararam que tinham a intenção de voltar a comprar.Bons clientes são o focoExistem redes de lojas e financeiras, no entanto, que decidiram apostar nos bons clientes. Sorrateiramente, elas estão assendiando esse consumidor que paga em dia, enviando cartas para a casa dessa clientela para oferecer produtos e planos de pagamento sem entrada. Financeiras também querem 13oO 13º salário também está sendo um álibi para as financeiras ampliarem a carteira de crédito pessoal, os financiamentos que não estão vinculados à compra de um bem. O atrativo para as financeiras, de vincular o empréstimo a um salário futuro, é o menor risco de inadimplência.O Banco PanAmericano, por exemplo, desde 1.º de setembro abriu uma linha de crédito para esse fim. A instituição pretende aumentar em 5% a sua carteira de empréstimos pessoais, usando como apelo a antecipação do 13º salário, segundo informa o gerente-geral de crédito pessoal, Carlos Dela Cruz. Segundo Dela Cruz, dependendo do histórico do cliente, é possível obter em crédito entre metade e uma vez e meia o equivalente ao valor do 13º salário a ser recebido, no caso de o empréstimo não contar com garantias. Os juros nessa linha oscilam entre 4% e 9% ao mês e é possível parcelar o pagamento em até 12 vezes.

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