Comércio de plástico biodegradável começará em 2004

A brasileira PHB Industrial, única do mundo a produzir resinas biodegradáveis a partir da cana-de-açúcar, vai começar a produzir comercialmente a partir de 2004. A idéia é iniciar, até o fim deste ano, a construção da fábrica. "Até 2004 a nova unidade deve estar a pleno vapor, produzindo em larga escala para suprirmos a demanda", diz o diretor-comercial da empresa, Sylvio Ortega.Para isso, a empresa investirá pelo menos US$ 2 milhões nos próximos três anos, que se somarão aos US$ 3 milhões já aplicados no projeto. A meta da PHB é produzir 10 mil toneladas da resina por ano na nova unidade, o que deve acrescentar US$ 50 milhões ao faturamento da companhia. "Depois, com base na demanda, teremos capacidade para ampliar esse volume", diz.Experiência-pilotoEm experiência-piloto, a empresa já fabrica de 50 toneladas a 60 toneladas por ano da resina, biopolímero poli-hidroxo butirato valerato, ou PHB-V. No processo, as bactérias consomem o açúcar e produzem essa resina biodegradável formadora de um plástico que, em contato com umidade, terra e bactérias, deteriora-se em um período de seis meses a um ano.Toda essa produção, ínfima para ser usada pela indústria atualmente, é destinada a universidades, empresas e centros de pesquisa e desenvolvimento tanto do Brasil como do exterior.Mercado externoO mercado externo, com destaque para o Japão, Alemanha, Finlândia, Noruega, Bélgica, Itália e Estados Unidos, já absorve 80% dessa produção. "Isso demonstra que, futuramente, a balança comercial brasileira pode sofrer alterações significativas por conta da resina de cana-de-açúcar", afirma Ortega.A resina PHB, comercialmente conhecida como Bio Cycle, apresenta as mesmas propriedades que o polipropileno (PP), de origem mineral, e pode ser usada nas linhas de produção como a indústria de embalagens. "Nossa idéia não é substituir ou brigar pelo mercado do PP, mesmo porque não temos escala para isso. O que queremos é oferecer uma alternativa menos agressiva, em termos ambientais, e economicamente possível", disse Ortega. MedicinaOutra importante aplicação da resina é a medicinal. Universidades brasileiras constataram a eficácia da Bio Cycle para substituir enxertos ósseos de metais. "A utilização de peças de PHB elimina a necessidade de uma segunda intervenção cirúrgica para retirar a prótese de metal, visto que a biodegradável é absorvida naturalmente pelo organismo", explicou Ortega.A indústria farmacêutica viu na resina biodegradável uma possibilidade de aprimorar-se. Alguns laboratórios internacionais já desenvolvem cápsulas de Bio Cycle, que permite a liberação gradativa do medicamento. Além de biodegradável, a resina de cana-de-açúcar é facilmente processada pelos transformadores, que não terão de promover alteração nas máquinas que operam com PP para usar PHB.Outro ponto favorável ao Bio Cycle é a economia de energia elétrica. Segundo o executivo da PHB Industrial, a temperatura média de transformação ao se utilizar o PP é de 230ºC, contra uma média de 165ºC no manejo com a resina biodegradável.PreçoMas é no preço que reside uma das grandes desvantagens do plástico biodegradável. Ele chega a ser até cinco vezes superior ao dos plásticos convencionais e iguala-se em custo aos plásticos biodegradáveis já existentes no mercado externo.Ortega, entretanto, fez questão de ressaltar que os gastos gerais com o material acabam sendo menores para a indústria, já que não existem despesas com reciclagem ou sobretaxas que incidem sobre o material.

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