Comércio de serviços cresce mais que o de bens, diz Furlan

O comércio de serviços cresceu a uma taxa maior que a do comércio de bens tanto em exportação quanto em importação, segundo disse há pouco o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan. As exportações de serviços cresceram 29% em 2005, levando o Brasil a ser o sétimo país com maior aumento de exportações desse tipo no mundo no ano passado. No entanto, as importações de serviços cresceram 38% no período e o Brasil terminou o ano com um déficit de US$ 34 bilhões na balança desse grupo. Durante o 1º Encontro Nacional de Comércio Externo de Serviços, realizado nesta sexta-feira no Rio de Janeiro, o ministro ressaltou a importância desse setor e a confiança de que o Brasil pode aumentar suas exportações e que tem competências em diversos segmentos de serviços, como biotecnologia, saúde e construção civil, por exemplo. Furlan afirmou que é criada uma câmara de discussão sobre o tema e que no ano passado surgiu a Secretaria de Comércio e Serviços. O secretário Edson Lupatini informou que espera dentro de dois meses poder começar a divulgar informações da balança de serviços detalhadas por setor, países de destino e estados de origem, além de outras informações. A divulgação deve ser mensal e o trabalho é feito em colaboração com o Banco Central, a partir das informações dos contratos do câmbio. Furlan destacou a criação do sistema de Comércio e Serviços (Siscoserv), que funcionará como o já existente Siscomex. O ministro negou divergências com o ministro da Fazenda, Guido Mantega em relação ao pacote cambial. Segundo ele, há unanimidade em relação à mudar a legislação cambial. CâmbioSobre o recuo do superávit comercial de mercadorias este ano, Furlan explicou que isso já era esperado desde o início do ano. "Era natural que com o crescimento do mercado interno, houvesse demanda maior por produtos importados. Mas as exportações continuam crescendo". Depois de cravar saldo de US$ 44,8 bilhões ano passado, o saldo da balança este ano deverá ficar ao redor dos US$ 40 bilhões, conforme estimativa do Mdic.O ministro também explicou que no início do governo a retomada do crescimento se deu via mercado externo. "Naquele período emergencial não poderíamos esperar o mercado interno", explicou, citando que a recomposição da renda levaria algum tempo, assim como a recuperação dos investimentos. O ministro lembrou que as discussões sobre a modernização da legislação do câmbio estão em curso e deverão ser anunciadas até o fim de julho.Questionado se havia divergências com o ministério da Fazenda quanto às discussões das novas regras, Furlan negou e disse que vem conversando com o ministro Guido Mantega. Voltou a defender que não haverá perdas tributárias com as mudanças. Estuda-se deixar que os exportadores usem recursos das exportações, em dólar, para pagar importações de insumos ou dívidas no exterior. Isso evitaria custos financeiros com a internação dos recursos.Durante o mesmo evento, o ex-ministro Delfim Neto disse que usar o câmbio para controlar a inflação é um equívoco. "Hoje estamos com uma política que valoriza exageradamente o câmbio. Mas boa parte da valorização do real é erro da política monetária que mantém a taxa de juros muito elevada", afirmou. Delfim defendeu, ainda, que pelo menos 57% do crescimento das exportações brasileiras entre 2001 e 2005 decorreram do aquecimento da economia global e dos preços internacionais mais altos.Este texto foi atualizado às 18h43

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