Comércio de SP considera corte da Selic tímido

A Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio SP) classificou como tímida a redução de um ponto porcentual da taxa Selic pelo Copom. Para a entidade, o corte deveria ser de dois pontos, pois o patamar de 19% ainda é muito elevado para que a economia se recupere. "A redução do ritmo de queda sinaliza que talvez possamos demorar mais para chegar à tão esperada retomada do crescimento", afirmou o presidente da Fecomercio, Abram Szajman.Ele destaca que, apesar das quedas da Selic, o juro real também está alto e contribui para o ingresso do capital especulativo e não o produtivo. Como conseqüência, não há espaço para o aumento da taxa de lucro das empresas e a retomada dos investimentos.De qualquer forma, acrescenta a entidade, o País não pode mais ficar apenas preso à questão dos juros, como ocorre há meses. Szajman defendeu o corte de gastos públicos pelo governo, para elevar o nível de investimento, e a execução de um amplo projeto de desenvolvimento para o Brasil.A Associação Comercial de São Paulo (ACSP) também considerou a medida conservadora e acredita que ficou abaixo das expectativas do setor. Para o presidente da associação, Guilherme Afif Domingues, seria necessário, além da continuidade do processo de redução, a diminuição também dos depósitos compulsórios dos bancos.Afif acha que é preciso mais empenho para reduzir a diferença entre a taxa básica e aquela que efetivamente é paga pelas empresas e pelos consumidores, uma vez a Selic está próxima do limite de baixa, entre 15% e 17% ao ano e tanto o câmbio quanto a inflação estão se mantendo dentro das expectativas. "É preciso tornar mais efetiva as garantias nos financiamentos e permitir a criação de cadastros positivos que possam aumentar a segurança na concessão de crédito e possibilitar que se cobrem taxas diferenciadas de juros para beneficiar os bons pagadores", disse.

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