Comércio defende remédio "amargo" dos juros

O presidente da Câmara Americana de Comércio do Rio de Janeiro, Sidney Levy, tem uma opinião polêmica sobre a política de juros do Banco Central. "Se você tem um médico que o está tratando e você está ficando bom, se ele eventualmente lhe dá um remédio um pouco forte, você reclama, mas toma o remédio", ponderou o representante empresarial em entrevista ao Conta Corrente, da "Globo News", fazendo uma analogia com o remédio amargo da alta na taxa Selic. "Eu acho que o ministro Palocci tem mostrado grande sabedoria na condução da economia do País e essa é uma parte do receituário dele. Então eu hipotecaria solidariedade ao ministro Palocci." "Quando os Estados Unidos têm uma gripe, o resto do mundo pega uma pneumonia", comparou Sidney Levy, sobre a preocupação com o risco do crescimento dos déficits fiscal e comercial norte-americanos. "Eu acho que é um assunto para se preocupar", admitiu Levy. "Mas eu acho também que os Estados Unidos têm uma capacidade de recuperação muito grande. Eles estão discutindo bastante o assunto e o presidente Bush vai começar a tomar medidas para diminuir esses déficits."Ao contrário do ano passado, segundo Levy, quando as exportações brasileiras cresceram devido à diversificação das exportações para outros países, neste ano o comércio com os Estados Unidos tem crescido acima da média. Esse fenômeno ocorre, apesar da desvalorização do dólar, que, em tese, deveria diminuir a competitividade dos produtos brasileiros naquele mercado. "Mesmo a R$ 2,60 ou R$ 2,70 nós continuamos supercompetitivos", salientou o presidente da Câmara de Comércio do Rio de Janeiro. "Dava mais dinheiro com R$ 3, mas a R$ 2,70 eu continuo a fazer um bom negócio."

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