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Comércio desgasta relações entre Brasil e EUA

O caso das barreiras ao aço é apenas mais um dos vários temas que estão levando Brasil e Estados Unidos a uma relação que parece ficar cada vez mais tensa nos últimos meses. Os pontos de maior atrito estão na área comercial. Além da salvaguarda ao aço, a Casa Branca assinou, na semana passada, uma lei que aumenta os subsídios aos agricultores norte-americanos e que, portanto, afeta a competitividade dos produtos brasileiros. Outro tema delicado é o fast-track, autorização do congresso norte-americano para que Bush negocie acordos comerciais. Segundo o projeto que está em debate no legislativo, produtos sensíveis, como os dos setor agrícola e têxteis, devem ser excluídos de uma abertura total. O problema, no caso do Brasil, é que esses são exatamente os produtos em que o País possui maior vantagem comparativa. Para o Brasil, as consequências dessa postura dos Estados Unidos podem ser sentida tanto nas negociações para a formação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), como na rodada da Organização Mundial do Comércio (OMC). "Que rodada será esta onde os Estados Unidos chegam a cada dia com novas medidas protecionistas. Quem vai querer abrir mercado nesse cenário", questiona o embaixador do Brasil em Genebra, Luis Felipe de Seixas Corrêa. E o clima parece que não deve melhorar nos próximos meses. O Brasil prepara um ataque contra a a política norte-americana de ajuda aos produtores de soja, o que estaria prejudicando as exportações nacionais. Seixas Correa tenta amenizar a tensão. "Temos que considerar os conflitos comerciais como parte do cotidiano das relações e que necessitam ser administrados", diz. O problema, porém, não é o surgimento de novas áreas de disputas, mas a estratégia utilizada por Bush para defender seus interesses, que tem por base a relação de força. E a tensão entre o Brasil e Estados Unidos não se limita ao comércio. No início do ano, Bush fez uma viagem à América do Sul sem passar pelo Brasil, um ato pouco provável em outra administração norte-americana e que deixou o Itamaraty preocupado. Além disso, há dois meses o chanceler Celso Lafer foi obrigado a ter seus sapatos revistados em um aeroporto dos Estados Unidos, enquanto ministros de outros países passavam isentos pela segurança. O último episódio da difícil relação entre os dois países ficou evidenciado pela conversa entre os presidentes Fernando Henrique Cardoso e Vicente Fox, do México. Captado por uma TV espanhola no final de semana passado, o diálogo ocorrido em uma reunião em Madri deixava claro que o brasileiro criticava a política norte-americana para a América Latina.

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