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Comércio diverge sobre manutenção da Selic

Ao contrário do que costuma ocorrer depois das reuniões que definem a taxa básica de juros, em que entidades representativas se unem nas críticas ao Comitê de Política Monetária (Copom), o comércio apresentou opiniões dissonantes em relação à manutenção da Selic em 8,75% ao ano. O presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Alencar Burti, elogiou a decisão e mostrou confiança na atuação do Copom durante o enfrentamento da crise. "Eu acho que o Copom tem demonstrado uma competência que não deixa dúvida à ninguém. Como entramos e saímos da crise deve-se à grande parcela de responsabilidade da direção do Banco Central (BC), do seu presidente Henrique Meirelles, dos profissionais que compõem a sua diretoria e à estrutura corporativa do banco. Portanto, eu acho que a decisão que eles tomaram foi a melhor", afirmou, em nota.

ANNE WARTH, Agencia Estado

21 de outubro de 2009 | 19h47

Já o presidente da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP), Abram Sazjman, criticou a manutenção da Selic e cobrou equilíbrio entre as políticas fiscal, avaliada como "expansionista", e monetária, chamada de "conservadora ao extremo". "A decisão confirma a tendência de alta para os juros em 2010, que podem ficar em torno de 10% a 11% ao ano", afirmou. "A Selic maior desestimula os investimentos no capital produtivo do País, impede o crescimento do emprego e da renda e incentiva a entrada de capital especulativo, valorizando o real. Um quadro como esse garante preços competitivos dos produtos importados, beneficiando o consumidor no curto prazo. Porém, no médio e longo prazos traz desequilíbrios para as contas públicas."

Indústria

A decisão do Copom "está em total descompasso com a situação industrial brasileira". Esta é a avaliação do presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto. "A decisão não se justifica, pois a inflação está controlada e o crédito à pessoa jurídica ainda está comprometido. Essa situação requer novo corte nos juros", disse Monteiro Neto.

Para o executivo, a indústria ainda mostra efeitos da crise internacional e, diferente de outros setores, esses efeitos, na avaliação de Monteiro Neto, "são mais duradouros e de difícil reversão". Ele destaca que, para que o Brasil possa dizer que realmente superou a crise, é necessária a recuperação da produção industrial e dos investimentos de longo prazo. "Para tanto, é fundamental uma taxa de juros menor que a atual e competitiva com as praticadas internacionalmente", disse. Ele avaliou ainda que a decisão de hoje do Copom "sinaliza que o ciclo de cortes da Selic chegou ao fim".

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