Comércio do Dia dos Pais não deve surpreender

O Dia dos Pais a ser comemorado em 8 de agosto, embora seja a primeira data especial para o comércio depois que indicadores começaram a mostrar a recuperação da atividade econômica, não deve sacramentar uma nova fase de crescimento com uma corrida às compras.Os resultados, na previsão de empresas e de economistas do varejo, devem repetir os números dos meses anteriores porque a data não tem grande apelo como o Dia das Mães (maio) ou dos Namorados (junho). Assim, as vendas vão apenas refletir o impulso que melhorou os números do comércio nos últimos meses, ou seja, o crédito e o cenário positivo.Se o frio continuar, o que incentiva a procura por bens semiduráveis, líderes de vendas na data, o aumento deve ficar em cerca de 4% para as transações à vista e de 7% para compras a prazo, estima o economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Marcel Solimeo. Estes porcentuais podem ser menores, caso as temperaturas subam até lá, principalmente na semana que antecede o Dia dos Pais, na qual se concentra a maior parte das vendas.Solimeo adverte, entretanto, que todos os dados deste ano são influenciados pela base de comparação. As vendas a prazo em agosto do ano passado, por exemplo, recuaram 6% e à vista caíram 5,5%. Caso as previsões da entidade se confirmem, o movimento vai apenas retomar os patamares médios registrados em 2002, levando em conta as consultas feitas aos serviços de verificação de cheques e crédito.Fecomercio e AlshopA Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP) estima que as vendas devam crescer entre 3% e 5%, os mesmos porcentuais do Dia das Mães e dos Namorados. Apesar das notícias sobre retomada econômica, o ânimo do consumidor, segundo o economista Fabio Pina, ainda é tímido, o que não permite prever uma performance extraordinária. "É maior o ânimo dos formadores de opinião", disse. O desempenho recente dos semiduráveis teve maior contribuição do frio do que da conjuntura econômica, ponderou.As estimativas dos lojistas de shoppings, segundo a Alshop, associação que representa o setor, estão em sintonia com as demais entidades. O presidente Nabil Sahyoun espera um aumento nas vendas de 3% a 4%, apostando na continuidade das baixas temperaturas. Ele acredita ainda que a restituição do Imposto de Renda, que começou a ser paga a partir de 15 de junho, deve injetar mais recursos na economia melhorando o poder de consumo do trabalhador.

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