Coluna

Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

Comércio e indústria dão sinais de acomodação

Pesquisas das Confederações Nacionais da Indústria (CNI) e do Comércio (CNC), relativas ao primeiro bimestre, indicam um arrefecimento tanto na produção industrial como na intenção de consumo das famílias. Por ora, parece ser apenas a confirmação de que o ritmo da atividade econômica será mais moderado em 2011 do que em 2010.

, O Estado de S.Paulo

24 de fevereiro de 2011 | 00h00

Entre dezembro e janeiro, o nível de Utilização da Capacidade Instalada (UCI) da CNI declinou 3 pontos porcentuais, de 48,2, em dezembro, para 45,2, em janeiro, pelo segundo mês consecutivo. As indústrias já esperavam queda, pois mantiveram o nível de estoques. Para este mês, as pesquisadas - 1.149 indústrias, das quais 198 de grande porte - esperam aumento da demanda, das exportações e das aquisições de matéria-prima, além de contratar mais pessoal. Mas, se a expectativa não se confirmar, haverá desova de estoques, afetando principalmente as companhias de pequeno porte.

Entre janeiro e fevereiro, a Pesquisa de Intenção de Consumo das Famílias da CNC mostrou uma queda de 1,8%, mas a partir de uma base extremamente elevada. O indicador registrou 139,3 pontos, em janeiro, e 136,7 pontos, em fevereiro - e a variação é positiva sempre que supera 100 pontos, o que é sinal de que continua havendo otimismo do consumidor. Em relação a fevereiro de 2010, o índice foi positivo em 0,7%.

As famílias pesquisadas acreditam em boas perspectivas profissionais e que este é um bom momento para comprar bens duráveis, um comportamento natural ante as liquidações de início de ano. Mas o nível de consumo atual caiu 9,5% no mês, a perspectiva de consumo futuro diminuiu 6,8% e a das compras a prazo, 4,1%. Estas são as piores consequências da queda de 4,4% da renda atual, que se deve à inflação, a grande inimiga dos consumidores e que não dá sinais de acomodação.

Os dados favoráveis do ano passado sugerem que o ritmo da atividade ainda será considerado forte neste ano, mesmo com as medidas restritivas ao crédito adotadas em 2010 e com a continuidade da alta de juros.

Até aqui, a inadimplência do consumidor está em nível muito baixo, mas os primeiros sinais de dificuldades de liquidez começam a surgir nas pequenas e médias empresas, como mostrou o indicador Serasa Experian de pontualidade, que declinou de 95,4%, em dezembro, para 94,7%, em janeiro. Os alertas de desaquecimento da atividade são moderados, mas não se deve ignorá-los, pois estão, sobretudo, nas faixas de menor renda, que sustentaram o vigor da economia.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.