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Comércio é o maior empregador do Brasil

Dados do IBGE mostram também que o salário de quem fez faculdade é 220% maior que a média e que funcionários públicos são mais bem pagos

VINICIUS NEDER / RIO, O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2013 | 02h07

O comércio é o maior empregador do País, segundo dados de 2011 divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Outro dado da pesquisa mostra que o mercado continua pagando melhor a profissionais com nível superior, homens e funcionários públicos.

O salário médio em 2011 era de R$ 1.792,61, 2,4% acima do de 2010 - mas o trabalhador que cursou uma faculdade ganhou, em média, 220% mais. A renda do pessoal ocupado (assalariados e sócios ou proprietários) atingiu R$ 1,041 trilhão, alta de 8%.

A consolidação do comércio como maior empregador se deu em detrimento da indústria de transformação. O Cadastro Central de Empresas (Cempre), do IBGE, mostra 52,173 milhões de pessoas ocupadas em 2011, sendo 45,184 milhões assalariados. Do total de assalariados, 8,525 milhões (18,9%) trabalhavam no comércio, contra 8,220 milhões na indústria de transformação (18,2%).

"O comércio sempre liderou em ocupação total (incluindo sócios e proprietários). Mas, desde 2010, passou a liderar também em pessoal assalariado", disse a gerente de análise do Cempre, Denise Guichard Freire, destacando que esse movimento se consolidou em 2011.

Em 2010, o comércio superou as indústrias de transformação em pouco mais de 10 mil trabalhadores. Em 2011, a diferença cresceu para quase 300 mil empregados. Enquanto o número de assalariados no comércio cresceu 6,2% de 2010 para 2011, o de empregados das indústrias de transformação avançou bem menos: 2,6%.

"Isso é esperado por causa do aumento da renda do brasileiro ao longo dos anos", comentou Rodrigo Leandro de Moura, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV).

Paralelamente, houve perda de participação da indústria de transformação na economia. Segundo o IBGE, a participação foi de 17,2% do PIB, em 2000, a 13,3%, em 2012.

O problema é que os salários pagos no comércio são menores. "O comércio está gerando empregos, mas paga salários abaixo da média", disse Denise, do IBGE.

Enquanto a média de salários no País é quase R$ 1,8 mil, o setor de alojamento e alimentação pagava R$ 858,92 em 2011. Empresas de atividades administrativas e serviços complementares - como serviços de vigilância, limpeza e telemarketing - pagavam R$ 1.110,16.

Produtividade. Outro problema destacado por Moura, do Ibre/FGV, é que a produtividade do setor de serviços, incluindo o comércio, é inferior à da indústria. "No curto prazo, a produtividade total da economia como um todo cai."

Os maiores salários vão para quem tem nível superior completo. Na média de 2011, o salário era de R$ 4.135,06, ante R$ 1.294,70, para trabalhadores sem faculdade. A enorme diferença, de 219,4%, recuou - em 2009, a diferença de salário entre trabalhadores com e sem curso superior era de 225%.

Segundo os dados do IBGE, os homens continuam ganhando mais do que as mulheres: a diferença da média salarial ficou em 25,7% - R$ 1.962,97, para os trabalhadores, ante R$ 1.561,12, para trabalhadoras. Dessa forma, o "machismo" ficou mais forte no mercado de trabalho - em 2009, homens ganhavam 24,1% mais. "O salário real tem crescido em atividades com predomínio dos homens, como construção civil e indústria extrativa", completou Denise, do IBGE.

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