Comércio entre Brasil e Argentina será com moedas locais

Brasil e Argentina deverão adotar, já em meados do ano, suas moedas locais para as transações comerciais entre os países. A informação é do Banco Central, que realiza no início de fevereiro uma reunião técnica com Buenos Aires para tratar dos últimos detalhes para a entrada em vigor da medida. O objetivo dos governos é a de reduzir os custos de transação entre os dois países, que não precisariam mais fazer o câmbio em dólar para realizar as exportações e importações. O BC ainda não sabe efetivamente quanto será o ganho com essa medida, mas aposta na iniciativa para facilitar a vida de quem comercializa dentro do bloco. Segundo os planos de Brasil e Argentina, a medida começará a ser válida apenas para os dois principais parceiros do Mercosul, em um primeiro momento. Só depois é que Paraguai, Uruguai e Venezuela seriam incorporados. Além de reduzir custos, a substituição do dólar teria um impacto no fortalecimento das moedas locais e reduziria a pressão sobre o câmbio. Câmaras de compensação ficariam responsáveis por acertar as operações entre argentinos e brasileiros. O comércio entre os dois países chega a US$ 16 bilhões por ano. A medida vem em um momento de crise no Mercosul. A Argentina, autora da proposta sobre as moedas, levou o Brasil aos tribunais da Organização Mundial do Comércio (OMC) por causa de uma medida de antidumping aplicada pelo País no setor de resinas. Buenos Aires fez isso sem passar pelos mecanismos existentes no Mercosul.

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