Comércio espera um crescimento "tímido" no faturamento de 2005

A crise política e as altas taxas de juros são os responsáveis por um resultado "tímido" do comércio no estado de São Paulo neste ano. De acordo com a Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista (PCCV), divulgada hoje pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio), o faturamento do setor deve crescer apenas 2% neste ano, na comparação com 2004."Talvez o Brasil tenha perdido uma grande oportunidade de crescer de forma robusta. O cenário internacional era excepcional, com elevada liquidez (volume de negócios) e tranqüilidade absoluta, mas o Governo se contentou apenas em manter o equilíbrio fiscal e monetário", opinou o presidente da Fecomércio-SP Abram Szajman. A avaliação da entidade é de que o faturamento do Natal de 2005 será exatamente igual ao do ano passado.A pesquisa da Fecomércio-SP constatou em dezembro crescimento de 12% ante novembro, do Índice de Confiança do Consumidor (ICC), que atingiu 131 pontos. No ano de 2004, o índice era de 141 pontos.Outro indicador divulgado pela Fecomércio aponta crescimento da inadimplência. Conforme a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), em dezembro, 43% dos consumidores têm contas em atraso, enquanto que, em novembro, o índice era de 39%. Em dezembro de 2004, o porcentual era de 33%. Por outro lado, a Fecomércio-SP identificou diminuição do endividamento dos consumidores, de 63% em novembro para 61% em dezembro. Inflação sobe pela 3ª vez consecutivaJá o Índice de Preço no Varejo (IPV) subiu 0,15% em novembro ante outubro, mostrando queda no ritmo de expansão, uma vez que a variação de outubro ante setembro foi de 0,74%. O IPV é apurado na região metropolitana de São Paulo e a variação de novembro foi a terceira alta consecutiva.Perspectivas para 2006De acordo com as projeções da Fecomércio, a economia deverá crescer entre 3 a 3,5% no próximo ano, com o superávit comercial posicionando-se entre US$ 30 e US$ 38 bilhões e o superávit primário ficando entre 5% e 5,5% do Produto Interno Bruto (PIB).A Fecomércio-SP projeta ainda o fechamento da Selic (taxa básica de juros) para 2006 entre 15% e 17%, o índice de desemprego apurado pelo IBGE entre 10% e 11% da População Economicamente Ativa (PEA), e o câmbio num patamar de cerca de R$ 2,40, em relação ao dólar.A entidade estima que o IPCA fechará 2006 entre 4% a 5% e o investimento público ficará em 2% do Produto Interno Bruto, enquanto que, em 2005 atingirá 1% do PIB. O investimento privado, segundo a Fecomércio-SP, permanecerá estável em 2006, no mesmo porcentual de 18% do PIB constatado este ano.

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