Comércio estará na pauta de reunião entre Mercosul e Asean

Mas encontro não deve chegar a um acordo sobre a conclusão de Doha

Denise Chrispim Marin, O Estadao de S.Paulo

22 de novembro de 2008 | 00h00

O Mercosul e a Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean) darão um recado comum sobre a crise internacional nesta segunda-feira, ao final do primeiro encontro de seus ministros de Relações Exteriores. Mas não conseguirão dar um passo concreto no lançamento das negociações de um acordo comercial - nem mesmo de corte parcial de tarifas - e poucas chances terão de afinar as posições para a conclusão da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC) até o fim de dezembro, como recomendaram os líderes dos países do G-20, no último dia 15."O que o Mercosul e a Asean falem sobre a crise terá peso. Juntos, os dois blocos respondem por um Produto Interno Bruto (PIB) de mais de US$ 5,5 trilhões, segundo o critério de paridade do poder de compra", afirmou o embaixador Evandro Didonet, diretor do Departamento de Negociações Internacionais do Itamaraty. Aos dois blocos interessa reforçar a demanda por maior participação do mundo em desenvolvimento na construção de uma nova arquitetura financeira global, assim como aumentar seu peso em decisões multilaterais que envolvam a segurança alimentar e o aquecimento global - em especial sobre as regras de redução da emissão de gases do efeito estufa que deverão vigorar a partir de 2012, o chamado pós-Kyoto.No momento em que o mundo se prepara para atender às recomendações dos líderes do G-20 (as sete maiores economias do mundo e países emergentes) e ainda não tem clareza sobre os rumos do futuro governo dos Estados Unidos, que toma posse em janeiro, o Mercosul e a Asean tentarão mostrar que podem agir em bloco sobre esses temas delicados.Mas a conversa não tende a fluir em relação à Rodada Doha. Embora vários países da Asean aliem-se ao Mercosul em outro G-20 - o que agrupa economias em desenvolvimento para a negociação agrícola na OMC -, os dois blocos não falam a mesma língua nesse campo. Em julho, parte do fracasso na conclusão da Rodada deveu-se à insistência de países como a Indonésia - membro da Asean e do G-20 da OMC - em proteger seus mercados das importações do setor. Imóveis até agora à recomendação do G-20 financeiro em favor da conclusão da Rodada ainda este ano, esses países tendem a causar novos embaraços. "Se eles dificultam, há mais um motivo para falarmos com eles", reagiu Didonet.No documento final desse primeiro encontro do Mercosul com a Asean deverá ser mencionado o objetivo de iniciar a negociação de um acordo de preferências tarifárias - acerto mais modesto que o de livre comércio, mas que poderia alavancar o intercâmbio entre os dois blocos, que alcançou US$ 11,75 bilhões em 2007. Porém, os ministros não deverão definir nem data para iniciar as conversas nem as bases em que se darão.O tema, a rigor, interessa mais à Asean, bloco que exporta 70% de seu PIB e tem peso no comércio de bens industriais, que ao Mercosul, no qual a Argentina ameaça adotar medidas protecionistas contra possíveis "invasões" de manufaturas importadas - inclusive brasileiras. Sede e promotor do encontro, o Brasil deverá aproveitar para ampliar as relações comerciais com as principais economias da Asean. No ano passado, o Brasil exportou US$ 4,35 bilhões para a Asean e importou US$ 4,83 bilhões.Até a sexta-feira, nove dos dez países da Asean haviam confirmado presença ao encontro - faltava apenas o Camboja - e seis serão representados por ministros. Alguns deles aproveitavam a reunião de cúpula da Associação de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec), em Lima, no último fim de semana, para seguir para Brasília. Além do chanceler brasileiro Celso Amorim, apenas a Venezuela, que participa como observadora, terá sua delegação liderada por um ministro - Nicolás Maduro, das Relações Exteriores. Argentina, Uruguai e Paraguai enviarão vice-ministros.

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