Comércio exterior mostra enfraquecimento

Não está claro qual o impacto da desvalorização do real e da guerra comercial entre Estados Unidos e China

O Estado de S.Paulo

05 Setembro 2018 | 04h00

As consultorias econômicas começam a revisar para baixo as expectativas para o saldo comercial em 2018, com recuo do superávit (diferença entre exportações e importações) de US$ 55 bilhões para US$ 50 bilhões. Não está claro qual será o impacto da desvalorização do real e da abertura de espaço para as exportações do País decorrente da contenda comercial entre Estados Unidos e China.

Os números do comércio exterior, além disso, sofrem a influência da mudança das regras de contabilização de importação de plataformas de exploração de petróleo. A mudança provocou alta do valor das importações, mas, mesmo desconsiderando esse fator, as compras no exterior crescem em ritmo muito superior ao das vendas para fora.

Em agosto, com exportações de US$ 22,6 bilhões e importações de US$ 18,8 bilhões, o saldo comercial foi positivo em US$ 3,8 bilhões, abaixo das expectativas dos agentes econômicos. Alguns analistas do mercado financeiro previam superávit de US$ 4,1 bilhões no mês passado.

Na comparação entre agosto de 2017 e agosto de 2018, as exportações cresceram 15,8% pelo critério de média diária. Os avanços foram menores tanto na comparação entre os últimos 12 meses até agosto e os 12 meses anteriores (+11,6%) como entre os primeiros oito meses de 2017 e de 2018 (+8,3%).

A perda de dinamismo das exportações foi mais visível no grupo dos produtos semimanufaturados, com destaque para açúcar em bruto, couros e peles, ferroligas e ouro. Mas também houve desaceleração nas vendas de manufaturados, segundo o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). A crise na Argentina, grande importadora de veículos, acentuará o problema. Já os itens básicos mostram evolução favorável. Entre agosto de 2017 e agosto de 2018, aumentaram as vendas de soja (farelo e grão), minério de cobre, petróleo em bruto e minério de ferro.

O crescimento das importações de 23,1% entre os primeiros oito meses de 2017 e de 2018 e de 35,3% entre agosto de 2017 e agosto de 2018 deve ser visto por seus aspectos positivos. Primeiro, mostra que cresce o peso das compras de bens de capital, que indicam investimento. Segundo, permite o avanço da corrente de comércio (soma de exportações e importações), melhor sinal da abertura comercial do País.

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