Comércio exterior pode parar com greve dos auditores

Segundo diretor-geral da CMA CGM, paralisação por mais duas semanas pode bloquear terminais de carga

Rodrigo Petry, da Agência Estado,

15 de abril de 2008 | 15h31

A manutenção por mais duas semanas da greve dos auditores fiscais da Receita Federal, que estão parados desde o dia 18 de março, deve provocar uma paralisia total do comércio exterior, avaliou o diretor-geral da CMA CGM, terceira maior armadora do mundo, Nelson Carlini. "A continuidade da greve vai provocar o bloqueio dos terminais, que já estão sobrecarregados. Se durar mais duas semanas, pára tudo", afirmou Carlini, que participou nesta terça-feira, 15, em São Paulo, de conferência durante a 14ª Intermodal South América.   Veja também:  Auditores decidem manter greve por tempo indeterminado   Ele admitiu que a companhia já está operando, inclusive, com navios sem carga completa para não perder ainda mais os prazos de entrega das mercadorias. "Há um acumulo de cargas dentro dos terminais, que não estão dando vazão ao fluxo, o que começa a aumentar o prazo de deslocamento das cargas. Quando os contêineres deixarem de vez de serem carregados vai ocorrer a interrupção total do fluxo no País", disse.   O diretor ressaltou ainda que além dos prejuízos financeiros pela dificuldade no deslocamento das cargas, o País pode perder clientes no exterior pelo atraso nos prazos de entrega. "Se o Brasil se transformar num lugar que deixa de entregar o produto na data a solução para os clientes será a troca de fornecedores", explica.   Como exemplo, ele cita o frango, que se não for entregue em 45 dias começa a perder preço. "A indústria automobilística é outra afetada pela greve, já que trabalha com grande giro de peças", ressalta.   Ponto   O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, reforçou nesta terça que o governo vai cortar o ponto dos auditores da Receita que estão em greve. Mas ele explicou que, por enquanto, o corte no salário ocorrerá apenas nos dias subseqüentes à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou o não pagamento dos salários, tomada na quinta-feira, 10. "Depois que o mérito for julgado, e acredito que nós vamos vencer, vamos descontar todos os dias parados", disse Bernardo, que destacou ainda que a greve não pode ser comparada a um período de férias.   Em relação à regulamentação da lei de greve do serviço público, o ministro disse que, embora seja a favor de uma lei específica, reconhece que a decisão do STF, que estabeleceu que vale para o setor público a mesma regra do setor privado, resolveu o vácuo legal que existia.   Ele disse ainda que está pronto um projeto de reajuste para uma série de categorias do serviço público e que pretende incluir nesse projeto setores que ainda estão em negociação, como os auditores, os advogados da União e os militares. Mas afirmou que se não houver acordo enviará o projeto do jeito que está, reajustando o salário de cerca de 12 categorias.   (com Fabio Graner, da Agência Estado)

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