Comércio: faturamento real cresce

O comércio varejista fechou o mês de agosto com nova alta, de 13,44% no seu faturamento real na comparação com o mesmo mês do ano passado. Em relação a julho deste ano, entretanto, houve queda de 0,40% nas vendas reais. Os dados são da Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista (PCCV) da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (FCESP) em parceria com a Agência Estado.Segundo o economista Fábio Pina, da FCESP, o comércio continuou mostrando um crescimento em agosto. Excluindo-se o grupo dos bens semiduráveis (vestuário e calçados, principalmente) os demais segmentos tiveram desempenho positivo: bens duráveis (mais 14,52%), não duráveis (mais 21,08%, sendo que mais 23,81% nas vendas dos supermercados) e comércio automotivo (mais 19,56%), todos na comparação com agosto de 1999. A queda em relação a julho, próxima da estabilidade, mostra que "existe de fato uma recuperação continuada do varejo, mas sem o mesmo ímpeto do começo do ano", explica o economista.Tendência positivaA tendência, segundo avaliação do economista, é de crescimento. Em primeiro lugar porque sempre há melhora das vendas no segundo semestre. Depois, porque está havendo uma expressiva ampliação do crédito - taxas menores e prazos mais longos - principalmente para financiamento de venda de bens duráveis e de veículos. Ainda assim, estima-se que o crescimento neste final de ano será menor que o verificado nos primeiros meses, por um motivo simples: a base de comparação muda. A economia estava com desempenho muito melhor no final do ano passado do que no início, o que deve levar a comparações menos intensas.A análise da FCESP lembra que os dados da indústria já apontavam há alguns meses para um aquecimento um pouco mais intenso do que se esperava neste ano, e as informações colhidas no varejo começam a confirmar essas expectativas. A nova previsão do Banco Central de que a inflação pode chegar a 6,7% este ano indica que a taxa de juros real média no ano deverá ficar em torno dos 10%. Mais um motivo no estímulo das vendas, tanto no lado do crédito, como no lado do financiamento. Vendas de Natal melhor que no ano passadoA FCESP alerta sobre o comportamento do grupo de semiduráveis, que tem forte influência de vestuários e continua a apresentar um desempenho bastante distinto dos outros grupos. Estudos ainda estão em fase de elaboração, mas existe a percepção geral que a venda de roupas e acessórios está se transferindo dos locais tradicionais para grandes magazines e supermercados. Um estudo mais aprofundado deve fornecer subsídios para uma nova avaliação. De todo modo, o desempenho do varejo em agosto permite estimar que as vendas de Natal deste ano serão melhores que as do final do ano de 1999 e de 1998.

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