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Comércio faz estoque à espera da volta do IPI

Redes ampliam em até 30% compras de artigos da linha branca

Márcia De Chiara, O Estadao de S.Paulo

31 de agosto de 2009 | 00h00

O varejo de eletrodomésticos já começa a fazer estoques preventivos para escapar da alta de preços das geladeiras, máquinas de lavar e dos fogões, com o fim da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) previsto para 1º de novembro. As concessionárias de veículos, por sua vez, pretendem continuar absorvendo a alta gradual do IPI dos carros. O temor do comércio é que, com o imposto integral, o ritmo de vendas tenha algum soluço no fim de ano, o melhor período de faturamento para os lojistas."Estamos tentando fazer algum estoque de linha branca. Fica difícil saber o que vai acontecer depois do fim da queda do IPI e com a proximidade do Natal", afirma o diretor comercial das Lojas Colombo, Gladimir Somacal. A rede ampliou entre 25% e 30% as encomendas de fogões, geladeiras e máquinas de lavar para os próximos dois meses. "Sem o fim da queda do IPI, as encomendas seriam 10% maiores", diz o executivo. A intenção é continuar vendendo sem imposto em novembro e dezembro.A mesma estratégia é adotada pelas Lojas Cem. "Já estamos planejando comprar um pouco mais de eletrodomésticos", conta o supervisor geral da empresa, José Domingos Alves, sem revelar o tamanho do aumento.Já a Insinuante, líder no Nordeste, acha arriscado formar estoques com juros ainda elevados. "Não é boa estratégia especular com estoques", afirma o diretor comercial, Rodolfo França Jr. Ele pretende ampliar em 15% as encomendas de produtos da linha branca para o Natal, se a redução do IPI for mantida no último bimestre.Líder na produção de linha branca, a Whirlpool detecta pequenos sinais de que as lojas estão ampliando as compras. "O varejo vai procurar formar estoques", diz o diretor comercial e de logística da companhia, Sérgio Leme. Desde meados de abril com IPI menor, a produção da linha branca cresceu 20% em relação a igual período de 2008, diz Leme. "2009 será o melhor ano da companhia, mas 2010 ainda é uma incógnita."Paulo Coli, vice-presidente da Latina Eletrodomésticos S.A., que produz tanquinhos, notou que desde julho o varejo amplia estoques, com acréscimos na faixa de 15%. Já a Mabe, que fabrica fogões, geladeiras e máquinas de lavar das marcas GE, Dako e BSH Continental, não vê formação de estoques. "As encomendas ainda estão acima do esperado, mas o mercado começa a afrouxar. O consumidor não está com a mesma euforia que tinha no início da redução do IPI", diz o presidente da empresa, Patricio Mendizábal.CARROSNas indústrias que fornecem componentes para as montadoras houve uma aceleração das encomendas para setembro. As compras de vidros, por exemplo, cresceram 10% na Saint Gobain Sekurit, que fornece para todas as montadoras, conta o diretor Manuel Corrêa.Ele não sabe dizer se as montadoras estão se preparando para um período mais aquecido nos últimos meses com IPI reduzido (setembro e outubro) ou se estão antecipando a produção para pôr os veículos nas concessionárias antes do fim do benefício. "Acho que tem um pouco dos dois."Ayrton Fontes, economista da MSantos, agência de varejo automotivo, constatou numa enquete feita com grandes concessionárias que elas estão dispostas a manter o benefício do IPI menor mesmo que o governo não o prorrogue até o fim do ano. "Vamos bancar o IPI de todos os modelos de veículos para nossos clientes até janeiro ", afirma Carlos Palazzini, dono da Palazzo, que revende as marcas GM, Peugeot, Cherry e Kia. A intenção é aproveitar a disposição do consumidor de ir às compras nesse período. Pesquisa feita pela MSantos em agosto com cerca de 400 pessoas na capital paulista mostra quase 30% pretendem comprar um carro zero até o fim do ano, mesmo com a volta do IPI.

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