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Comércio global cai pela primeira vez desde 2001

OMC prevê que no ano que vem haverá redução nas exportações mundiais, a terceira queda em três décadas

Jamil Chade, GENEBRA, O Estadao de S.Paulo

24 de novembro de 2008 | 00h00

Depois de anos em plena expansão, o comércio mundial vai sofrer retração em 2009. Essa será a terceira vez em 32 anos que as exportações mundiais terão queda. Em 2008, o comércio entre as grandes potências já está no vermelho diante da recessão nas economias ricas e os dados positivos apenas estão sendo mantidos no total mundial graças aos mercados emergentes.Para 2009, dados preliminares da Organização Mundial do Comércio (OMC) apontam uma retração das exportações mundiais. Se a queda se confirmar, ela será a primeira em sete anos. Desde 1976, o comércio mundial sofreu uma retração em apenas outras duas ocasiões: 1982 e 2001. Os fluxos de bens entre Estados Unidos, Europa e Japão já estão menores do que em 2007, algo que não ocorria desde o início da atual década. Para especialistas, o Brasil não escapará e as exportações nacionais serão afetadas. A recessão na Europa, por exemplo, faz desabar as importações dos 27 países do bloco e a previsão é de que o mercado europeu esteja em seu pior momento em seis anos. As perspectivas são uma ameaça suplementar às exportações brasileiras para um de seus principais mercados no mundo para bens agrícolas. Já em outubro, a taxa de crescimento das vendas brasileiras para o mercado europeu caiu em relação aos meses anteriores.Dados divulgados neste fim de semana pelo principal instituto de pesquisas sobre comércio na Europa, o Escritório Holandês de Avaliação Econômica, apontam que as importações vão aumentar apenas 3% em 2008. Para 2009, o fraco desempenho será mantido, afetando as exportações dos países emergentes. O levantamento é usado tanto pela Comissão Européia como pelo Banco Mundial para formular suas previsões. Segundo os autores das estimativas, a queda pode ser ainda maior diante dos últimos dados da economia da Alemanha, Itália, Reino Unido e Espanha. Para 2009, a taxa de crescimento das importações será de apenas 3,75%. A última queda relevante no volume de importações ocorreu em 2002. Os dados são bem diferentes do que a Europa demonstrou nos últimos anos. Em 2006, por exemplo, o crescimento havia sido de 8,3% nas importações. 2004 também foi um ano de pico nas importações, com crescimento de 6,9%. A Europa segue uma tendência mundial. Depois de um crescimento de 7,1% no comércio mundial em 2007, a taxa deve cair para no máximo 4,5% neste ano. Os analistas admitem que a queda pode ser ainda maior. O déficit comercial europeu também diminuiu pela metade como resultado da redução das importações. O buraco nas contas passou de 9 bilhões, em agosto, para apenas 5,4 bilhões, em setembro. Já o comércio entre a Europa e os Estados Unidos sofreu redução de 5% ante queda de 4% entre a Europa e o Japão. Os fluxos entre a Europa e a Coréia do sul também foram negativos em 4%. Os dados são da própria Comissão Européia. O fluxo de comércio no mundo só está sendo mantido a taxas positivas graças aos mercados emergentes. Até o terceiro trimestre, as vendas da Europa aumentaram em 10% ao mundo, atingindo US$ 1,2 trilhão. Mas essa taxa foi garantida pela demanda de China, Rússia e Brasil.Além da queda nas importações da Europa, governos pressionam a Comissão Européia para que mantenham certos benefícios aos produtores agrícolas locais. Na semana passada, o bloco aprovou reforma de seus subsídios agrícolas. Mas diante da crise e da pressão dos fazendeiros, a mudança não será tão profunda. O plano era o de realizar uma das maiores reforma dos subsídios dos últimos 40 anos. Mas a crise, recessão na Europa e o lobby de França, Itália e Alemanha obrigaram Bruxelas a moderar sua proposta e amenizar os cortes de ajuda. Durante o G-20, no dia 15, governos de todo o mundo anunciaram que evitariam tomar medidas protecionistas. Mas, pressionada, a UE foi obrigada a fazer concessões para seus agricultores e manter alguns benefícios por alguns anos. Há uma semana, O Brasil apelou na OMC para que os governos aproveitem o momento de reforma do sistema para também eliminar seus subsídios.

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