Comércio incentiva parcelamento "sem juros"

A venda à vista, sempre considerada um grande negócio para o varejo em qualquer lugar do mundo, no comércio nacional perdeu espaço para o chamado "financiamento sem juros", principalmente, em segmentos como vestuário, eletroeletrônicos, móveis e materiais de construção. Com a queda das taxas de juros e a expansão do crédito, o uso de recursos como o parcelamento de curto prazo sem acréscimos aparentes são cada vez mais utilizados pelo comércio. O consumidor quando pede para pagar à vista com desconto, o lojista freqüentemente oferece a alternativa de parcelamento da compra, sem alterar seu valor. A estratégia é, ao mesmo tempo, aumentar o volume de vendas e conquistar a fidelidade do cliente. Lojistas de grandes redes, que não dão descontos no pagamento imediato, também insistem que seus preços à vista ou em parcelas não incluem juros. "Acho vergonhoso a loja anunciar que o seu produto à vista ou em quatro vezes custa o mesmo valor. Transmite a idéia de desonestidade, de juros embutidos no preço", diz o diretor da Loja Cem, Natale Dalla Vecchia. Diante do aumento da oferta de preços iguais à vista ou em parcelas, o consumidor também é tentado com freqüência a não pedir descontos para quitar sua dívida na hora da compra. O resultado, calculam analistas de crédito, é que com o parcelamento ele consome mais e gasta em média 20% acima do previsto. O diretor das Casas Bahia, Michel Klein, explica que o consumidor prefere comprar parcelado sem juros, mesmo que disponha de recursos.A Associação Brasileira das Empresas de Informação, Verificação e Garantia de Cheques (Abracheque) dá uma idéia do crescimento da emissão de cheques pré-datados, muito usados em vendas parceladas sem juros, principalmente em lojas de confecção. De 1999 para 2000, houve aumento de 8% no número de cheques por operação de compra, que passou de 1,55 para 1,69.Ao mesmo tempo, as 11 empresas ligadas à Abracheque desenvolveram um trabalho para incentivar o parcelamento e reduzir o valor médio de cada cheque. A iniciativa trouxe como resultado a queda da taxa de inadimplência de 3,55% para 2,18% de fevereiro de 2000 para o mesmo mês deste ano. "Assim, há chances menores de o cheque voltar e de o lojista ser vítima de um golpe. Ao mesmo tempo, ele pode oferecer opções para facilitar o pagamento ao consumidor e contar com recursos que lhe trazem o aumento das vendas", constata o presidente da Abracheque, João Montenegro.

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