Comércio já dava sinais em 2013 de desaceleração

O ano de 2013 ainda foi bom para o comércio, mas já sinalizava desaceleração. A receita líquida operacional da atividade totalizou R$ 2,673 trilhões, mas o varejo e o setor de veículos tiveram o menor crescimento da série histórica, informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que divulgou a Pesquisa Anual do Comércio daquele ano.

Idiana Tomazelli / RIO, O Estado de S.Paulo

15 de agosto de 2015 | 02h03

"A atividade de veículos vinha muito forte, por conta de financiamento, crescimento da renda e outras facilidades. Mas em 2013 o crescimento real da receita operacional foi de 4,1% ante 2012, o menor da série. Pode ter sido já efeito de uma desaceleração do crédito e um menor crescimento da renda", disse Andréa Bastos, gerente da pesquisa do IBGE.

Como consequência, o setor de veículos respondeu por 13% da receita operacional líquida de todo o comércio, o equivalente a R$ 348,411 bilhões. A participação é menor do que a verificada no ano anterior, quando o segmento ficou com uma fatia de 13,6%, apontou o IBGE

Segundo a gerente da pesquisa, outro sinal de que as famílias puseram um freio no consumo de veículos é a alta na receita real do setor de peças. "Elas podem ter optado por elevar gastos com manutenção", contou a especialista.

No varejo, o avanço real da receita operacional foi de 7,2%, para R$ 1,145 trilhão. Também foi o menor ritmo de alta desde o início da série. Quem impediu uma deterioração ainda mais intensa foram os mercados de bairro, o setor de tecidos e as lojas de material de construção - estas foram um destaque absoluto, com crescimento real de 21,8% no ano.

O atacado foi o único setor do comércio que teve um avanço mais vigoroso na receita operacional, com ganho de 11,2%. "O ano de 2013 ainda foi bom para o comércio, embora na série tenha sido o menor crescimento", apontou Andréa.

Nos cálculos da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o avanço das três atividades juntas foi de 2,7% em termos reais em relação a 2012, mais uma vez o menor da série.

Emprego. O comércio segue sendo uma das atividades que mais emprega no País, com 10,431 milhões de trabalhadores, cerca de 18% do total no Brasil. Em 2013, o crescimento do emprego na atividade foi de 4,4% em relação ao ano anterior (um dos menores resultados da série, perdendo apenas para 2012, quando o avanço foi de 4,2%).

Os salários, por sua vez, tiveram o menor crescimento real da série. Em 2013, o avanço foi de 6,8% em relação a 2012. No total, segundo o IBGE, os profissionais do comércio receberam R$ 168,249 bilhões em salários, retiradas e outras remunerações há dois anos.

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