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Comércio mundial terá crescimento abaixo do previsto em 2015

Para diretor-geral da OMC, falta de crescimento na Europa e redução de taxa de expansão na China devem afetar exportações mundiais

Jamil Chade, correspondente, O Estado de S. Paulo

26 de março de 2015 | 09h07

GENEBRA - O comércio mundial será afetado pelo fraco crescimento da economia internacional e deve ter uma expansão em 2015 abaixo das previsões que haviam sido feitas pelos organismos internacionais. O alerta é do diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), o brasileiro Roberto Azevedo. " Se a tendência é de um fraco crescimento da economia mundial, então o comércio seguiria a mesma direção ", alertou.

No final do ano passado, a OMC apontou que a previsão de crescimento das exportações para 2015 seria de apenas 4%. O número já era uma revisão para baixo de uma estimativa inicial de 5,3% para o ano. Agora, uma nova revisão deve ser realizada e anunciada em abril. 

" A expansão comercial está fortemente ligada ao crescimento econômico ", declarou Azevedo. " Não são números independentes. Tivemos revisões para baixo da previsão para o crescimento mundial por parte de instituições. Minha intuição, portanto, é que comércio va seguir o mesmo caminho ". disse. 

Segundo ele, pelo menos duas economias podem afetar os fluxos de comércio no ano. O primeiro deles é a Europa, que representa um terço do comércio mundial e que ainda sofre para crescer. " O que ocorre na UE afeta muito o comércio ", declarou Azevedo. 

Outro ponto que pode representar uma fragilidade é o crescimento do PIB chinês abaixo da média dos últimos anos. " Existem estimativas que apontam que esse pode ser o novo padrão ", declarou o brasileiro. 

Se confirmada a queda, a expansão comercial ficará bem abaixo da média dos últimos 20 anos. Nesse período, a média foi de 5,2%. Em 2014, a expansão havia sido de apenas 3,1%. 

Espionagem. Azevedo ainda fez seus primeiros comentários hoje diante das revelações de que ele teve sua campanha para comandar a OMC espionada pelos serviços de inteligência da Nova Zelândia.

" Minha campanha não usou de qualquer tipo de medida ou ações como a que foi relatado e não faria ", declarou Azevedo. 

Ele ainda se recusou a explicar o que tem sido feito diante da revelação ou se tomaria alguma iniciativa. " Não farei mais comentários sobre isso ", disse.

Questionado se a OMC estava protegida de ações de espionagem, o brasileiro garantiu que a entidade " tomas as medidas necessárias ". Mas admitiu : " não existe um sistema que não seja invulnerável ".

Usando tecnologia fornecida pelos EUA e num acordo com governos anglo-saxões, a Nova Zelândia espionou os e-mails e o tráfego de internet do brasileiro em 2013, às vésperas das eleições em Genebra.

As informações foram publicadas neste domingo, 22, pelo jornal New Zeland Herald e pelo site americano The Intercept, com base em documentos vazados. Há poucas semanas, essas mesmas publicações passaram a usar documentos fornecidos por Edward Snowden, o ex-funcionário da CIA, para revelar o papel da Nova Zelândia em operações de espionagem e na colaboração com a Casa Branca.

Em 2013, a OMC passava por um de seus momentos mais críticos e com uma disputa que envolvia nove candidatos, algo inédito. O controle da entidade era considerado como algo estratégico pelos países emergentes, principalmente depois de ficar sem o FMI ou o Banco Mundial. Tim Groser, ministro do Comércio da Nova Zelândia, era um dos principais oponentes aos nomes lançados pelos emergentes e era apoiado pela Casa Branca.

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