ALEX SILVA/ESTADÃO
ALEX SILVA/ESTADÃO

Comércio pode ficar com R$ 4 bi do PIS/Pasep que será liberado

Governo anunciou a liberação dos recursos para as mulheres com mais de 62 anos e homens com mais de 65 anos; antes, o dinheiro só era liberado quando os beneficiários completavam 70 anos

Daniela Amorim e Mariana Durão, O Estado de S.Paulo

23 Agosto 2017 | 23h17

RIO - A liberação de R$ 15,9 bilhões de contas inativas do PIS/Pasep deverá engordar o caixa do comércio varejista no País em R$ 4 bilhões, segundo cálculos da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) obtidos com exclusividade pelo Estadão/Broadcast.

“O montante equivale a cerca de um terço da força que a liberação do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) teve sobre o varejo. É muito bem-vindo nesse momento de inflexão das vendas”, ressaltou Fabio Bentes, chefe do Departamento Econômico da CNC, responsável pelo cálculo.

A liberação dos recursos do PIS/Pasep foi anunciada nesta quarta-feira, 23, pelo presidente Michel Temer. Terão direito ao benefício mulheres com mais de 62 anos e homens com mais de 65 anos. Até então, os recursos só eram liberados quando os beneficiários completavam 70 anos. Os saques serão permitidos a partir de outubro e oito milhões de pessoas serão contempladas. Segundo o Ministério do Planejamento, a maioria dos cotistas receberá cerca de R$ 750, embora o presidente tenha declarado que a média dos pagamentos seria de R$ 1.200 por pessoa.

Voo de galinha. O professor da FGV Ebape, Istvan Kasznar, diz que a medida é bem-vinda por permitir a disponibilidade de renda da população de baixa renda. A tendência, aponta, é que o destino dos recursos seja o pagamento de dívidas de curto prazo e algum consumo. Ele alerta que o efeito da liberação de R$ 15,9 bilhões em PIS/Pasep é marginal diante do quadro econômico e fiscal. “É uma medida que tem fôlego curto. Não permite mais que um voo de galinha.”

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.