Comércio varejista dá leve sinal de alento

Um dos segmentos da economia que mais sofreram com a recessão, o comércio varejista apresentou uma pequena reação entre maio e junho, num sinal de que o ritmo da atividade pode voltar aos trilhos ainda neste ano. Em relação a maio, segundo a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) do IBGE, houve crescimento de 0,1% no volume de vendas do varejo restrito, do qual se exclui o comportamento de veículos e motos, partes e peças, e de material de construção. No varejo ampliado, que inclui esses itens, ainda houve recuo de 0,2%, inferior ao da comparação entre abril e maio (-0,3%) e entre março e abril (-1,5%).

O Estado de S. Paulo

12 de agosto de 2016 | 03h14

O que justifica algum alento é que o varejo é o setor mais castigado pela perda de renda real e pelo desemprego, que atingiu 11,4 milhões de trabalhadores conforme a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) Contínua, do IBGE, também de junho. Qualquer variação positiva – e, em especial, que supere as previsões correntes, como as da PMC – merece atenção.

Comparações em períodos mais longos continuam a ser bastante negativas, mas a queda perde intensidade. Entre maio de 2015 e maio de 2016, a redução das vendas do varejo restrito foi de 9%, porcentual que caiu para 5,3% em junho. No varejo ampliado, as quedas foram de 10,2% e de 8,4%, respectivamente. Só piorou o item veículos e motos (15,2%).

Entre maio e junho deste ano, melhoraram as vendas de tecidos, vestuário e calçados; livros, jornais, revistas e papelaria; outros artigos de uso pessoal e doméstico; e material de construção – neste caso, é despesa destinada a investimento, um sinal positivo.

O indicador menos favorável de junho veio do setor de hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, cujas vendas caíram 0,4% em relação a maio. Trata-se, neste caso, de redução de consumo de itens essenciais, o que sugere que as famílias de menor renda não conseguem manter o padrão de vida. O alto custo da alimentação ajuda a explicar o problema.

Mas, se o primeiro semestre parece ter sido o pior dos últimos anos, a FecomercioSP já prevê que as vendas do Natal de 2016 superem as de 2015. A recuperação dependerá de emprego, renda e confiança. Destaque-se o Indicador Antecedente de Emprego da FGV, que avançou pelo quinto mês consecutivo em julho, sugerindo recuperação à frente, “ainda que em ritmo lento”, notaram especialistas do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre).

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