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Comércio varejista registra alta de 0,28%

O comércio varejista em março registrou alta de 0,28% sobre março de 2001, segundo dados divulgados hoje pelo IBGE. Esse é o primeiro indicador mensal positivo para o setor desde outubro do ano passado. Segundo o IBGE, o crescimento nas vendas nos supermercados foi o principal fator para a retomada do comércio no mês. O segmento avançou 3,53% no mês de março em relação a março de 2001. No acumulado em três meses, no entanto, ele registra estabilidade, com aumento de 0,03%. Outro segmento que ajudou no aumento das vendas no varejo foi o de segmento de combustíveis e lubrificantes, que cresceu 4,58% em relação a março do ano passado.O índice de 0,28% para o comércio varejista em março não significa "recuperação" para o varejo, na avaliação do técnico do IBGE, Nilo Lopes, do Departamento de Comércio Varejista da instituição. "Podemos dizer apenas que parou de piorar", disse Lopes. Ele lembrou que nos últimos 12 meses a pesquisa do IBGE constatou índice mensal positivo apenas em dois períodos: outubro de 2001 (1,59%) e março último. Além disso, boa parte do impacto positivo de março refletiu o consumo típico da Semana Santa, como artigos de chocolate e bacalhau. Em 2001, a Semana Santa caiu em abril e este ano em março, o que "inflou" os resultados deste ano. O acumulado no trimestre continua negativo em 0,77% (sobre os três primeiros meses de 2001) e, em 12 meses, a queda no varejo foi de 1,45%, conforme a pesquisa divulgada hoje pelo IBGE. A queda só não foi maior pelo crescimento de 5,06% do consumo de derivados de petróleo nos três primeiros meses do ano, que o IBGE atribui à queda no preço da gasolina no início do ano. Dos cinco segmentos acompanhados pelo IBGE (combustíveis e lubrificantes, hiper e supermercados, tecidos e vestuários, móveis e eletrodomésticos e demais artigos de uso pessoal), o avanço no consumo de derivados de petróleo contribuiu com mais da metade para o efeito positivo no trimestre. Os segmentos que puxaram o índice para baixo foram os de "demais artigos de uso pessoal e doméstico), com queda de 4,59% no trimestre (5,89% em 12 meses) e o de tecidos, vestuário e calçados, com quedas de 2,53% no trimestre e aumento de 0,18% em 12 meses. Já o setor de móveis e eletrodomésticos registraram queda de 1,38% no trimestre e de 3,19% em 12 meses. Lopes não quis fazer projeções quanto ao desempenho do varejo, mas apontou três aspectos que estão dificultando a recuperação do setor. DesempregoO nível de desemprego de março deste ano ficou em 7,1% da população ativa e era de 6,5% em março de 2001. Além disso, a renda real da população empregada caiu 6,3% no período acumulado de 12 meses até fevereiro e a indústria continua com queda na produção. Os fatores positivos que podem contribuir para a melhoria do comércio é a proximidade das eleições, da Copa do Mundo e do Dia das Mães, em maio, considerada a segunda melhor data para o varejo nacional. AutomóveisO brasileiro comprou menos automóveis para aumentar as compras nos supermercados nos três primeiros meses deste ano, segundo a pesquisa do IBGE. De acordo com dados da instituição, o comércio varejista de veículos, motos, peças e partes registrou queda de 28,01% nas vendas no varejo em março deste ano em relação a março de 2001, enquanto as vendas nos supermercados cresceram 4,16%. No acumulado no trimestre (janeiro a março) a queda na venda de automóveis ficou em 23,4% e de 11,83% em 12 meses, contrastando com o avanço de 0,75% nos supermercados, no trimestre, e 0,85% em 12 meses. O técnico do Departamento de Comércio do IBGE atribui a queda nas vendas dos automóveis às elevadas taxas de juros. Ele observa que o segmento de móveis e eletrodomésticos, igualmente dependente de crediário, também não está com desempenho positivo, com queda de 3,98% em março deste ano (sobre março de 2001), de 1,38% no trimestre, e de 3,19% em 12 meses. O setor de automóveis e autopeças não faz parte do índice de varejo do IBGE, mas é acompanhado regularmente pela instituição na sua pesquisa mensal. Caso o segmento fosse computado, o indicador teria sido muito pior nos últimos meses.

Agencia Estado,

14 de maio de 2002 | 09h56

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