Comgás descarta risco de faltar gás em São Paulo

Segundo diretor da distribuidora, anúncio da Bolívia apenas confirmou o que já era esperado

Wellington Bahnemann, da Agência Estado,

04 de janeiro de 2008 | 17h40

O diretor vice-presidente e de Mercado de Grandes Consumidores, GNV e Suprimento de Gás da Comgás, Sérgio Luiz da Silva, descartou problemas no abastecimento de gás aos clientes por conta do anúncio do governo boliviano de que não poderá cumprir os contratos de fornecimento. "Isso representa apenas 5% das nossas necessidades. É um volume pequeno frente à demanda de 14 milhões do mercado da Comgás", disse o executivo. De acordo com o executivo, o anúncio oficial do governo boliviano apenas confirmou o que já era de conhecimento dos agentes que participam do mercado de gás. Silva acrescentou que o contrato com a BG já enfrentava problemas desde maio do ano passado, quando o fornecimento dos 650 mil m³/d tornou-se instável. "Em algumas ocasiões, o gás era fornecido por uma semana, outras durante duas semanas. Além disso, o volume entregue, às vezes, era de 200 mil m³/d, em outras ocasiões era de 300 mil m³/d", explicou o diretor. Durante todo esse período, o executivo contou que a Comgás vem gerenciando a oferta para garantir o abastecimento do mercado. Além disso, a companhia também contou com o auxílio da Petrobras, que compensava o fornecimento de gás quando o contrato com a BG não era cumprido. "Essa questão não afeta o abastecimento de São Paulo. Não há nenhum motivo para alarde, como foi gerado pelo anúncio", garantiu o executivo. Segundo Silva, os novos contratos firmados com a Petrobras em dezembro do ano passado proporcionam maior capacidade para a Comgás enfrentar a conjuntura atual do setor de gás no País. Ele lembrou que os novos acordos com a estatal garantem uma oferta de 14,750 milhões de m³/d ante a demanda de 14 milhões de m³/d. "Já enfrentamos situações piores em 2006 e 2007 e, mesmo assim, não faltou gás para nenhum consumidor. Desta vez, a segurança contratual que temos é muito mais favorável do que em anos anteriores", destacou. Vale lembrar que dos 14,75 milhões de m³/d, cerca de 2,5 milhões de m³/d foram contratados em modalidades flexíveis. Desse volume, 1 milhão de m³/d é do tipo firme flexível, que prevê a substituição do gás por um combustível alternativo custeada pela Petrobras na hipótese de a estatal precisar direcionar gás para atender à demanda das termelétricas. Outro 1,5 milhão de m³/d foi contratado no formato interruptível, no qual a responsabilidade e os impactos financeiros da troca do gás por outro insumo são dos consumidores em caso de corte do fornecimento. O executivo admitiu, porém, que os próximos dois anos serão apertados para o mercado de gás natural no Brasil. A expectativa da companhia é de que nova molécula de gás estará disponível apenas ao final de 2009. Nesse período, a Comgás projeta que as vendas do insumo devem crescer entre 4% e 5% ao ano, em linha com o Produto Interno Bruto (PIB) do País. "Esse cenário não afetou os planos de expansão da empresa", garantiu o diretor da Comgás.

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