Comgás registra recorde de ligações industriais em SP

A indústria paulista proporcionou bons negócios para a Companhia de Gás de São Paulo (Comgás) em 2003. No ano passado, a distribuidora de gás canalizado, que atende à região metropolitana de São Paulo, Baixada Santista e parte do interior do Estado registrou recorde em ligações industriais, com 120 novos clientes incorporados à rede.Além disso, o consumo industrial de gás cresceu 17% ao longo do ano, mais que o verificado nos segmentos comercial e residencial, para um volume entre 7 milhões e 7,5 milhões de m³ diários o equivalente a cerca de 80% do volume total comercializado pela empresa. "Outro ponto positivo foi o fato de, pela primeira vez, esse crescimento ter se dado em toda a rede da empresa, incluindo mercados já explorados, e não somente em novas áreas atingidas pela malha da companhia", comemorou o diretor de Marketing Industrial da Comgás, André Lopes de Araújo. O executivo não revelou o impacto desse crescimento no faturamento da empresa.Para Araújo, esse aumento do consumo industrial pode ser conferido ao próprio processo de expansão da malha de distribuição da empresa e ao crescimento da demanda, sobretudo em segmentos da indústria voltados para a exportação. "Esses segmentos continuaram com um patamar forte de consumo", afirmou. No ano passado, acrescentou, a rede de dutos da companhia cresceu 300 quilômetros, para um total de cerca de 1.300 quilômetros, alcançando a região de Campinas e Indaiatuba. Com essa expansão, a empresa registrou uma outra marca: 200 contratos fechados com indústrias no interior desde o início das atividades.BenefíciosO aumento do consumo industrial de gás canalizado recebeu a influência de "benefícios quase intangíveis" que o gás proporciona à indústria, segundo o executivo. O gás natural proporciona benefícios associados, como menor custo de manutenção e operação. Em alguns casos, como na indústria cerâmica, oferece melhoria da qualidade do produto final, o que resulta em ganho de competitivade. Para outras empresas, permite o enquadramento nas exigências da legislação ambiental, com uma redução da emissão de poluentes.Segundo Araújo, a expansão do fornecimento para as indústrias apresenta um benefício no médio prazo para a distribuidora: deverá ser seguida, em breve, por um crescimento das vendas para clientes residenciais e comerciais. As indústrias, lembra o executivo, servem como âncoras para a expansão da rede de dutos, à qual são incorporadas, posteriormente, outras categorias de consumo. A Comgás já atende residências de sete municípios de sua área de concessão. A expectativa é elevar, em cinco anos, para 21 o número de municípios com fornecimento de gás para residências.Para 2004, a expectativa é de continuidade da expansão das vendas da indústria. Araújo estima que deverão ser investidos, nesse ano, entre R$ 200 milhões e R$ 300 milhões na rede pela empresa, como parte de um planejamento que prevê a aplicação de R$ 1,3 bilhão nos próximos cinco anos.Redução de preçoA Comgás trabalha com um cenário positivo para os próximos anos em relação aos preços do gás natural, considerados por alguns segmentos da indústria um impeditivo para a conversão ao energético. "A expectativa do mercado é de uma redução drástica dos preços do gás", afirmou Araújo. "Entendemos que, além da descoberta das reservas da Bacia de Santos, há um ponto favorável que é o fato das reservas da Bolívia serem grandes". O executivo acrescentou que há um grande interesse de segmentos dispostos ao longo da cadeia de comercialização do gás natural boliviano em reduzir o preço do insumo energético.Araújo considera a proposta de redução dos preços do gás natural, apresentada no final do ano passado pela Petrobras, "um ponto favorável". Mas, segundo ele, não é o suficiente. Segundo o executivo, o preço internacional do petróleo está atualmente em patamares altos, oscilando em torno de US$ 32 o barril, o que afeta os preços de derivados, como o óleo combustível, que compete com o gás nas indústrias. "Isso traz competitividade para o gás natural por determinado momento", diz ele. "Precisamos saber quão competitivo será o gás com o barril do petróleo custando entre US$ 20 e US$ 25".

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