Comida cara acaba com folga no orçamento

Alimentos vão continuar em alta ao menos até março, avisam analistas

Márcia De Chiara, O Estadao de S.Paulo

22 de dezembro de 2007 | 00h00

Os alimentos, que responderam por quase a metade da inflação deste ano, não vão dar trégua em 2008. Pelo menos até março, quando começa a entrar no mercado a nova safra de grãos, a comida deve continuar como a vilã do custo de vida do brasileiro. "Os alimentos não vão subir 9% como neste ano, mas vão comer uma parte do orçamento do consumidor de baixa renda, que gasta uma boa parcela do que ganha com a comida", afirma o sócio da RC Consultores, Fabio Silveira, que projeta inflação de 4,3% a 4,4% para 2008.De janeiro a novembro, a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o indicador oficial de inflação, acumulou alta de 3,6% e os preços dos alimentos subiram 8,5% no mesmo período. De uma inflação projetada pela consultoria de 4,4% para este ano, muito próxima do centro da meta de inflação, que é 4,5%, os alimentos vão responder por cerca de 2 pontos porcentuais.O movimento dos preços dos alimentos no atacado é uma indicação do que deve ocorrer no varejo nos próximos meses, observa o economista. De junho a dezembro, os preços das commodities agropecuárias subiram cerca de 35% em reais, segundo o índice de preços por atacado calculado pela consultoria.O feijão, sem dúvida, foi o grande vilão da inflação no atacado, com alta de 203% no período. Mas ele não está sozinho no rol dos produtos que devem continuar pressionando a inflação no início do ano que vem. O milho e a carne suína subiram 79% e 78%, respectivamente, neste semestre, seguidos pela soja (41%), carne bovina (32%), frango (28%), leite (22%), arroz (13%), café(10%) e trigo(10%). A alta de preços só não foi maior porque as cotações do açúcar e do algodão recuaram 6% no período."A entrada da safra de grãos do próximo ano não vai exercer uma pressão baixista nos preços como de costume, a sazonalidade será mais fraca no ano que vem", observa Silveira. Ele explica que a estiagem ocorrida na época de plantio deve ter comprometido a produtividade da nova safra, que não será tão grande para reduzir a pressão dos preços.Outro fator que deverá pressionar as cotações dos produtos agropecuários no ano que vem é o dólar, lembra Silveira. Como esses produtos são commodities - cotadas em moeda americana - e a perspectiva é de que o dólar se valorize em 2008 em razão da piora do saldo de transações correntes, os preços dos alimentos em reais devem aumentar.

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