Comissão da Câmara quer ouvir Gabrielli e Haroldo Lima

Aleluia classificou de "tresloucada e sem qualquer argumento técnico" a declaração do diretor-geral da ANP

Elizabeth Lopes, da Agência Estado,

16 de abril de 2008 | 13h56

A Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira, 16, por unanimidade, requerimentos para ouvir o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, o diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Haroldo Lima, e representantes de empresas privadas envolvidas com o vazamento de informações sobre o potencial de reservas da área chamada de Pão de Açúcar, na Bacia de Santos. Os requerimentos foram feitos pelo vice-presidente do Partido Democratas, deputado José Carlos Aleluia (BA), que a princípio queria a convocação de todos, convertida pela comissão em convite.    Veja também: Haroldo Lima questiona competência legal da CVM para puni-lo Procurador do MPF vai avaliar declarações de Haroldo Lima Pão de Açúcar: País pode ter o terceiro maior campo de petróleo do mundo  'Brasil pode se unir à Opep', diz jornal americano Descobertas vão render R$ 160 bi  Novo megacampo no Brasil mexe com bolsas de Londres e Madri  A história e os números da Petrobras A maior jazida de petróleo do País A exploração de petróleo no Brasil  Na avaliação de Aleluia, o assunto "é muito grave para ficar por isso mesmo e a Petrobras é uma empresa séria, que não pode ser massa de manobra de interesses escusos". O parlamentar classificou de "tresloucada e sem qualquer argumento técnico" a declaração do diretor-geral da ANP de que a área Pão de Açúcar teria reservas de 33 bilhões de barris de petróleo, cinco vezes mais do que a Petrobras estima para o campo de Tupi. "Isso provocou agitação na Europa e nos Estados Unidos. Sem falar que aqueles que tiveram a informação privilegiada ganharam uma fortuna num único dia", supôs Aleluia.O líder do Democratas observou, ainda, que a Petrobras tem o dever de tornar públicas as notícias relevantes. "Não cabe à ANP fazer tal anúncio. Essa postura demonstra apenas a inconseqüência do governo Lula. Quem lucrou com essa informação?", questionou, complementando que, "com certeza, muitos perderam". Na avaliação de Aleluia, "o diretor-geral da ANP não tem consciência do que é o cargo que exerce. E age como se fosse um quadro do governo Lula".   Informações não são oficiais   Nesta quarta, Gabrielli, afirmou que os dados sobre a área de exploração Pão de Açúcar, na Bacia de Santos, informados na segunda-feira por Haroldo Lima, não são oficiais. "Isso não é um número oficial; pode ter menos, pode ter mais, eu não sei", afirmou Gabrielli, que está no México para participar do Fórum Econômico Mundial da América Latina e discutir uma possível atuação da estatal no país. "Logo que tivermos a informação, anunciaremos ao mercado", disse. "Não podemos responder antes de conseguir a informação."   As declarações do diretor da ANP provocaram uma corrida às ações da Petrobras e de suas parceiras nas bolsas de todo o mundo. "Esta é outra razão pela qual devemos ser muito cautelosos com o que dizemos", disse Gabrielli.   Na terça-feira à noite o presidente da estatal havia informado que nos próximos três meses será possível saber o tamanho das reservas do campo. "Em geral diria que levaria um ou dois meses para terminar com a perfuração e logo teremos um tempo para a análise, o que significa que provavelmente dentro de 3 meses teremos informação para ver o que é o que está acontecendo realmente", disse.   Em sociedade com Repsol-YPF e BG Group, a Petrobras encontrou Carioca ao oeste do campo de Tupi, na Bacia de Santos.

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