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Comissão do Senado aprova indicação de Aldo Mendes para BC

Ex-técnico do BB deve substituir Mario Torós, afastado após entrevista polêmica; decisão agora cabe ao plenário

Adriana Fernandes, da Agência Estado,

24 de novembro de 2009 | 12h54

A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou nesta terça-feira, 24, a indicação do economista Aldo Mendes para ocupar a diretoria de Política Monetária do Banco Central. O placar da votação foi de 23 votos a favor, dois contra e uma abstenção. A indicação de Mendes agora precisa ser aprovada pelo plenário do Senado para que ele assuma o cargo que era ocupado por Mário Torós. O antigo diretor foi afastado na última segunda-feira, após polêmica entrevista ao jornal Valor Econômico, revelando detalhes sobre a atuação do BC durante a crise.  

 

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Em sua exposição inicial à CAE, Mendes elogiou a autonomia da instituição, citou a política do governo que "regulou o acesso da população ao crédito" e afirmou que a previsão feita pela pesquisa Focus, de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 5% em 2009, mostra que "o Brasil deixou a crise para trás".

 

Aldo Mendes afirmou que a política econômica do governo é "coroada de sucessos" graças a três pilares fundamentais: responsabilidade fiscal, regime de metas e cambio flutuante. "Em síntese, se aceita por esta Casa minha indicação, colocarei a dispor o melhor do meu conhecimento para somar ao time que tem ajudando o governo de forma exitosa a conduzir a economia brasileira", disse.

O relator da mensagem de indicação é o senador Aloizio Mercadante (PT-SP). Líder do governo, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) pretende votar a indicação de Aldo Mendes ainda esta semana ou, no máximo, na próxima, para dar tempo de o indicado assumir o cargo no BC antes da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para o dia 8 de dezembro.

 

Aldo Mendes, doutor em economia pela Universidade de São Paulo, já exerceu o cargo de diretor de Finanças e Mercado de Capitais no Banco do Brasil e foi vice-presidente da Associação Nacional das Instituições do Mercado Financeiro (Andima), além de ter integrado os conselhos de administração da BM&F e da Central Interbancária de Pagamentos (CIP). O indicado ocupou entre 2005 e 2009 a vice-presidência de Finanças, Mercado de Capitais e Relações com Investidores do Banco do Brasil e atualmente presidia a Companhia de Seguros Aliança do Brasil.

 

Mais cedo, o senador Heráclito Fortes (DEM-PI) solicitou um pedido de vista à votação da indicação de Aldo Mendes para a diretoria do BC. No entanto, após um debate com o presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, senador Agripino Maia (DEM-RN), sobre se regimentalmente poderia ocorrer um pedido de vista, o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) sugeriu que a indicação de Aldo Mendes fosse votada pela CAE e ele se comprometeria a convidar o ex-diretor Mário Torós para prestar esclarecimentos na Comissão sobre os motivos que o levaram a deixar o BC.

 

"O Aldo Mendes não pode contribuir com o que ocorreu no passado. Eu me comprometo a convocar o Torós para prestar esclarecimentos à CAE", argumentou Mercadante. O senador Heráclito Fortes concordou com a sugestão de Mercadante e retirou o pedido de vista. Para ele, "o Brasil precisa saber os motivos que levaram Torós a deixar o Banco Central".

Crescimento

Em sua fala à Comissão, Mendes afirmou ainda que o objetivo da política econômica deve ser o de criar as condições necessárias ao crescimento sustentável. Entre as precondições, ele destacou a busca intransigente da estabilidade de preços.

Segundo ele, o controle da inflação é um bem público por excelência e seu valor deve ser preservado. "A política monetária deve perseguir o cumprimento da meta de inflação, estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional que, como sabemos, para o biênio 2009-2010, foi fixada em 4,5% anuais", afirmou.

Mendes disse que para o perfeito funcionamento da política de metas de inflação é necessário que o BC disponha de autonomia. Para ele, a experiência dos últimos anos comprova que o BC deve dispor de autonomia operacional de fato, para calibrar com eficiência os instrumentos de política monetária baseados em critérios estritamente técnicos.

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