Comissão Européia aprova reforma política agrícola

A Comissão Européia, braço executivo da União Européia (UE), aprovou hoje uma reforma na Política Agrícola Comum da região que prevê medidas para liberalizar alguns setores do mercado do recebimento de subsídios agrícolas e reduzir, com isso, as distorções dos preços. As medidas são uma tentativa dos europeus de dar uma resposta à crise da alta dos preços dos alimentos e ainda permitem que os produtores mais competitivos possam avançar no mercado sem restrições.Na avaliação da Europa, exportadores como o Brasil, Argentina, Paraguai e outros países sairão como beneficiários diante da atual alta dos preços das matérias-primas (commodities) agrícolas. Mas a realidade é que, internamente, os europeus foram obrigados a rever seu modelo agrícola diante da crise e da maior inflação no bloco nos últimos 12 anos.Um dos pontos da reforma se refere ao limite dos subsídios para grandes quantidades de terras de propriedade de uma só pessoa. Na prática, isso irá reduzir os subsídios recebidos por nobres, como o Duque de Westminster ou mesmo a família real britânica que hoje ganha ajuda estatal para suas fazendas. Por pressão exatamente da Inglaterra, a proposta foi aguada e os nobres não ficarão totalmente sem seus subsídios. As cotas de produção de leite foram retiradas e a proposta possibilitará o uso de 5 milhões de hectares novos na produção agrícola da Europa. Na prática, os subsídios diretos ao produtor poderiam cair em 13%. Para conseguir reformar o modelo de distribuição de subsídios, a proposta da UE consiste em desconectar o volume da ajuda ao montante produzido. Para ser aprovada, a proposta agora precisa o aval dos 27 países que compõem o bloco e deverá ser votada no segundo semestre deste ano. ResistênciaA França, que presidirá o bloco a partir de julho, já deixou claro que vi resistir à proposta. "A crise nos alimentos nos dá razão e por isso vamos pressionar para que nossa capacidade de produção seja preservada", afirmou Michel Barnier, ministro da Agricultura da França. O governo da Alemanha também promete protestar.As associações de fazendeiros alegam que não vão aceitar a proposta, mesmo com a expansão do setor agrícola. "Não está na hora de reduzir os subsídios", afirmou o vice-presidente da Cooperativa de Produtos Agrícolas da Europa, Gerd Sonnleitner.

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