Comissário europeu admite fracasso em negociações na OMC

O comissário europeu de Comércio, Peter Mandelson, admitiu neste sábado o fracasso das últimas negociações da Rodada de Doha e ressaltou que a solução para a crise passa pela atuação do diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, como facilitador das conversas na próxima reunião do fim do mês."Não foi uma reunião bem-sucedida, mas também não foi um desastre", disse Mandelson, que destacou que se não houver progressos nas próximas semanas ou resultados nos próximos meses, a "Rodada de Doha não terminará este ano".O principal negociador da União Européia (UE) ressaltou que, a partir de agora, Lamy "terá que ser o catalisador, mas não o autor" do acordo, já que essa tarefa corresponde aos países da OMC.Mais de 60 ministros dos 149 países da OMC participaram da recém-concluída reunião sobre a Rodada de Doha, na qual tentavam determinar os números e fórmulas para a aplicação dos cortes tarifários nas importações de bens agrícolas e industriais.A comissária européia de Agricultura, Mariann Fisher Boel, afirmou que "o mês de julho será crucial para que a Rodada de Doha seja bem-sucedida".Os países da OMC negociam há quase cinco anos a rodada, que procura aprofundar a liberalização dos intercâmbios comerciais nas áreas de agricultura, indústria e serviços, e fazer com que os principais beneficiários sejam os países em desenvolvimento.Após o fracasso de uma série de reuniões em abril, os países aceitaram se esforçar para que o objetivo fosse alcançado neste fim de semana, o que acabou não acontecendo.Em julho, os países previam terminar a negociação relativa aos serviços. O calendário, agora, será comprometido pelo atraso dos pontos anteriores.Mandelson e Fisher Boel afirmaram que, no que se refere às discussões agrícolas, foi alcançada uma aproximação entre as posições da UE e do Grupo dos Vinte (G-20), que agrupa países em desenvolvimento."Estamos mais perto da convergência, mas para conseguirmos um acordo, os grandes atores têm que se envolver mais com o acesso aos mercados e com os subsídios internos", disse Mandelson, em referência direta aos EUA, a quem as economias em desenvolvimento pedem a redução dessas medidas que distorcem o comércio internacional.O comissário europeu discorda que a próxima reunião do Grupo dos Oito (G8), que reunirá os sete países mais industrializados e a Rússia em meados de julho, em São Petersburgo, seja um fórum apropriado para se discutir o progresso da rodada."Generosa oferta"O secretário de Agricultura dos EUA, Mike Johanns, alegou que ainda estava "otimista" em relação a um acordo. Mas não agora. "Os EUA farão a sua parte. Mas em troca é preciso melhorar o acesso aos mercados e isso é algo que até agora não vimos", acrescentou Johanns.A delegação americana lembrou que em outubro de 2005 apresentou uma "generosa oferta" para reduzir os subsídios aos agricultores e abrir mercados agrícolas e industriais. A proposta, entretanto, não recebeu apoio dos outros países, especialmente da União Européia (UE). Johanns lembrou que os europeus "concedem três vezes maisajudas internas aos agricultores que os EUA".Matéria atualizada às 9h40 para o acréscimo de informação

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