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Comissário europeu demonstra otimismo com união Mercosul-UE

Se depender do otimismo do chefe da diplomacia da União Européia (UE), Chris Patten, a associação comercial do bloco europeu com o Mercosul deverá receber um impulso animador na II Reunião de Cúpula UE-América Latina e Caribe, que será aberta nesta sexta-feira em Madri.O comissário europeu para Relações Exteriores avaliou hoje que a crise da Argentina não se tornou um obstáculo para as negociações. "Foi um surpresa agradável constatar que os problemas argentinos só reforçaram a necessidade de se dar um novo impulso às nossas negociações, em vez de estancá-las", disse.Patten considera que as medidas tomadas pelo governo argentino "apontam na direção correta", restando a elaboração de um acordo viável com o FMI para se começar a restabelecer a confiança na economia do país. Mas pode haver credibilidade com uma classe política desacreditada até a raiz dos cabelos? O otimista Patten não se abala: "Fazemos esforços intensos para nos relacionar com a sociedade civil do Mercosul, de Ongs a empresários e acadêmicos, e não apenas com a elite política do país. Nossa visão deve estender-se muito além disso." Último governador britânico de Hong Kong, o homem que entregou a chave da ex-colônia em 1997 aos chineses, Patten participou do longo processo de negociações da devolução com os dirigentes da China. Talvez por isso ele não se mostre ansioso com a marcha lenta das negociações entre Mercosul e UE, embora reconheça que as duas primeiras rodadas, a partir de abril de 2000 (data que estabelece como início do processo), não saíram do lugar."Empenhei-me pessoalmente, ajudado pelo então chanceler do Brasil (referindo-se a Luis Felipe Lampreia), para avançar o processo, que desde a terceira rodada apresenta resultados significativos. Os capítulos político e de cooperação estão quase concluídos e mesmo em temas espinhosos, como tarifas, há progressos."O chefe da diplomacia européia previu que o próximo passo após a cúpula de Madri será convocar, em alguns meses, uma reunião dos ministros do Comércio de ambos os blocos para enfrentar as questões mais duras. Por tudo isso, Patten não vacilou em pregar nesta cúpula o cartaz de "histórica". "Evito usar este termo normalmente, porque ficou desgastado. Na cabeça da mídia e das pessoas nas ruas, esses encontros apenas significam altas contas de hotel, mas desta vez a definição é pertinente."Para reforçar sua tese, ele lembra que o relacionamento entre a UE e a América Latina cresceu "exponencialmente" nos anos 90 após um período de maré baixa na década anterior. Os países centro-americanos também pleiteiam uma associação com a UE, mas a estrada parece longa. "É mais difícil negociar com um bloco, por isso o passo inicial será estabelecer acordos de cooperação que ajudem a América Central a definir seus objetivos e agir como um bloco", disse Patten. Atualmente, a região movimenta uma fatia de 9,4% do comércio entre EU e o continente latino-americano, o que ele considera pouco. Questionado por jornalistas centro-americanos, que falavam em derrota da região nesta cúpula por não obter avanços nessa questão, Patten novamente se mostrou otimista: "Cingapura e Canadá também pleiteiam uma associação comercial com a UE, oferecendo boas condições, mas o fato de ela não ter sido concretizada não significa uma derrota."

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