Comissário europeu diz que Brasil trava Rodada Doha

O comissário de Comércio da União Européia, Peter Mandelson, atribuiu ontem ao Brasil as dificuldades nas negociações para a Rodada Doha, da Organização Mundial do Comércio (OMC). "O Brasil sempre está por trás", afirmou. Para Mandelson, o Brasil precisa assumir novas responsabilidades no comércio internacional diante do seu status de potência emergente, e não apenas pressionar pelas concessões dos países ricos. O recado do comissário foi dado às vésperas do início da negociação final da Rodada Doha. Ontem, ministros de todo o mundo desembarcaram em Genebra para as reuniões que marcarão a conclusão das negociações. Mas, à noite, já surgiu a primeira crise, com os países latino-americanos recusando-se a aceitar um acordo sobre o comércio de bananas. "Os países desenvolvidos estão se adaptando à nova realidade criada pelo surgimento das economias emergentes. Mas essas economias precisam também entender que devem assumir responsabilidades que antes não tinham", disse Mandelson. Em outras palavras, o comissário europeu insiste que está na hora de Brasil, Índia e China também pagarem por terem benefícios no comércio internacional. Por anos, a diplomacia brasileira alegou que a atual Rodada foi convocada na realidade para corrigir distorções no mercado internacional, principalmente na agricultura.

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