Comitê de credores da Argentina recomenda rejeição à proposta

O Comitê Global de Credores da Argentina (GCAB) anunciou hoje, em Nova York, a sua rejeição à proposta de reestruturação da dívida pública argentina apresentada no fim da tarde da quarta-feira pelo Ministro da Economia, Roberto Lavagna. O Comitê informou ainda que começará uma turnê mundial para mobilizar os credores da Alemanha, Itália, Japão, EUA, Suíça e Grã-Bretanha.Na Itália, os credores conseguiram o respaldo do governo de Silvio Berlusconi, e prometem represálias contra a Argentina. "Fedorenta" foi um dos adjetivos mais sutis emitidos pelas lideranças das associações sobre a proposta argentina. Os setores mais irritados dos 400 mil credores italianos pedem um boicote aos produtos argentinos.Desde a declaração do calote, em dezembro de 2001, os italianos vêm realizando protestos na frente da Embaixada da Argentina. As manifestações intensificaram-se quando em 2003 o governo do presidente Néstor Kirchner anunciou que aplicaria uma substancial redução do valor da dívida. O valor dos títulos encolherá em mais de 60%.O ministro da Economia da Itália, Domenico Siniscalco, disse à Comissão de Finanças da Câmara de Deputados que "é evidente que não houve uma negociação de boa fé com os correntistas". Ele sustentou que se a oferta "não for aceita por um número suficiente de credores, surgirá um cenário sem precedentes de processos nos tribunais internacionais, com conseqüências difíceis de prever. O governo argentino poderia ser forçado a apresentar uma nova oferta".Na segunda-feira quinze associações de consumidores da Itália realizarão uma marcha de protesto. Elas propõem um boicote aos produtos Made in Argentina. Credores argentinosEnquanto isso, na capital argentina, o clima entre as lideranças das associações de credores nativos também é de profunda irritação. Depois de pronunciar impropérios em idioma local contra os representantes da equipe econômica, os credores prometem uma onda de processos na Justiça contra os autores da proposta de troca da dívida."É uma fanfarronice a mais", afirma Horacio Vázquez, um dos líderes da Associação de Correntistas Prejudicados pela Pesificação e o Default (ADAPD). "A proposta é tão vil que não tem sentido algum", diz.Os credores argentinos ficaram mais furiosos ainda depois que o ministro Lavagna ameaçou os credores que abrirem processos contra a Argentina de tornarem-se alvo de processos do próprio governo argentino - na categoria de demandantes - contra os donos de títulos argentinos.

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