Comitê pede aos EUA rigor na prevenção à vaca louca

Um comitê internacional de especialistas em encefalopatia espongiforme bovina (EEB), a doença da vaca louca, recomendou hoje que os Estados Unidos sejam mais rigorosos na prevenção da doença. O comitê trabalhou a convite do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) e foi composto por cinco especialistas: dois suíços, um britânico, um neozelandês e um americano. Os EUA descobriram seu primeiro caso de vaca louca em 23 de dezembro e, desde então, mais de 50 países proibiram a importação de carne bovina americana.As principais recomendações do comitê de especialistas são: proibição do uso de carne de suínos, aves e proteínas de mamíferos como ingredientes da ração dos bovinos; teste de todos os bovinos de "risco" abatidos com mais de 30 meses de idade (o gado de risco corresponde aos animais muito doentes ou feridos que não mais ficam em pé, aqueles que morrem nas fazendas ou durante o transporte); testes aleatórios em animais sadios que forem levados ao abate; destruição de todos os materiais de risco, como cérebro e espinha dorsal de bovinos acima de 12 meses de idade; proibição do uso dos materiais de risco não apenas na ração dos bovinos, mas também de todos os animais, inclusive os de estimação.Ulrich Kihm, membro do comitê, disse que tais propostas tiveram como base uma grande preocupação com a possibilidade de contaminação da ração do gado nas fábricas, no transporte, estocagem ou durante o uso nas fazendas. Kihm afirma que o gado pode ser contaminado com apenas 10 miligramas de tecido cerebral infectado. Recentemente, o USDA minimizou tal preocupação e garantiu que a doença poderia ser transmitida apenas se o gado ingerisse ração contaminada apenas por partes de ruminantes doentes.O USDA disse que vai testar 40 mil cabeças de gado em 2004, o dobro do ano passado, mas um número bem menor que o comitê está recomendando. Só de bovinos doentes e/ou feridos são abatidas cerca de 145 mil cabeças todos os anos.ReclamaçõesAs recomendações do comitê de especialistas em vaca louca, patrocinado pelo USDA, divulgadas hoje, não agradaram os produtores americanos. Gary Weber, especialista em saúde animal da Associação Nacional dos Criadores de Gado dos EUA, disse que a maioria das recomendações foi feita com base na experiência européia e não serve à realidade do país.Já Steve Sundlof, representante da Food and Drug Administration (FDA), agência que regula os setores de alimentos e medicamentos nos EUA, disse que levará algum tempo até que as recomendações do comitê sejam analisadas, praticadas ou descartadas.

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