Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Comitiva da chinesa CNNC visita Brasil de olho em Angra 3

De acordo com o presidente da Abdan, Celso Cunha, a CNNC reafirmou seu interesse em participar não apenas do término de Angra 3, mas de futuras usinas nucleares que serão construídas no País

Denise Luna, O Estado de S.Paulo

01 de junho de 2019 | 11h56

RIO – Perto da divulgação do modelo de conclusão da usina nuclear Angra 3, aguardada para as próximas semanas, uma comitiva da China National Nuclear Corporation (CNNC) esteve no Brasil na última sexta-feira (31) para conversar com a Eletronuclear e a Associação Brasileira para Desenvolvimento de Atividades Nucleares (Abdan).

Nas reuniões, de acordo com o presidente da Abdan, Celso Cunha, a CNNC reafirmou seu interesse em participar não apenas do término de Angra 3, mas das futuras usinas nucleares que serão construídas no País até 2050 e de todo o ciclo nuclear, partindo da mineração, enriquecimento do urânio e setor de farmacologia.

“Eles atuam em toda a cadeia de produção e vieram entender o potencial do Brasil. Ficaram loucos quando falei que somos os sextos em reservas de urânio mas só pesquisamos um terço do nosso território”, contou Cunha, que já recebeu outros interessados no negócio, com a americana Westinghouse, a russa Rosatom e a francesa EDF. “Acho que vai ser uma dessas”, aposta o engenheiro, que organiza junto com World Nuclear University (WNU) o principal evento nuclear brasileiro, o  “The World Nuclear Industry Today”, que acontece de 3 a 5 de junho, em Brasília.

“Um representante da CNNC ficou para o evento”, informou Cunha, que espera que o modelo de venda seja divulgado pelo governo o mais rápido possível, para aproveitar o interesse em torno de Angra 3. No momento, três modelos estão está sendo analisados por um grupo de trabalho no Programa de Parcerias de Investimento (PPI), mas  ainda dependem da decisão final do governo para saber como será montada a parceria com a iniciativa privada, fato inédito no setor nuclear, considerado de segurança nacional.

Segundo Cunha, que acompanha de perto o processo, a tendência é de que se forme uma Empresa de Propósito Especial, o que acomodaria de forma mais eficiente a parceria entre governo e iniciativa privada. O investidor privado terá que arcar com cerca de R$ 7 bilhões, e o restante, ou R$ 8 bilhões, virá da Eletronuclear e do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que poderá ser sócio do empreendimento.  

Angra 3, terceira usina nuclear brasileira terá capacidade instalada de 1.405 megawatts, o suficiente para abastecer um acidade com 5 milhões de habitações. A obra parou em 2015 por suspeitas de corrupção e está 67% pronta. Já foram investidos pelo governo brasileiro R$ 9 bilhões. Atualmente, com Angra 1 e 2, a energia nuclear representa cerca de 3% da matriz energética no Brasil.

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