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Comitiva do presidente foi recebida por manifestantes no leilão da Cedae, na B3. Reprodução G1

Comitiva de Bolsonaro é recebida com protesto e ovos no leilão da Cedae

Manifestação foi preparada pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Teto; ninguém foi atingido

Redação, O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2021 | 17h49

A comitiva do presidente Jair Bolsonaro foi recebida com um protesto preparado pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) ao chegar ao prédio da B3, a Bolsa paulista, para acompanhar o leilão da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae)

Um ovo foi arremessado no momento em que os deputados federais Hélio Lopes (PSL-RJ)  e Carla Zambelli (PSL-SP), que fizeram parte da comitiva, entravam no prédio. Outros membros da comitiva então correram para entrar mais rápido no prédio. Mas ninguém foi atingido. 

No protesto, os manifestantes portavam cartazes com os dizeres "400 mil mortos" e "Bolsonaro Genocida", em referência aos mortos pela covid-19 no País. Pelo vídeo postado nas redes do MTST, cerca de 30 a 40 pessoas participaram da manifestação.

Bolsonaro foi ao leilão da Cedae após participar de um almoço em São Paulo com um grupo de mulheres.

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Leilão da Cedae arrecada R$ 22,6 bilhões

Apesar de um dos blocos não ter sido vendido, leilão da estatal de águas e esgoto do Rio teve ágio médio de 133%; os 3 lotes arrematados tiveram forte competição e devem ter investimentos de R$ 27 bi em 35 anos

Renée Pereira, O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2021 | 16h19
Atualizado 30 de abril de 2021 | 22h33

Símbolo da mudança de rumo no setor de saneamento básico, o megaleilão da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae) conseguiu arrecadar nesta sexta-feira, 30, R$ 22,6 bilhões, que representa um ágio médio de 133%. Apesar de a concessão de Maceió (AL) ter sido o primeiro leilão sob as normas do novo marco regulatório, a licitação da Cedae – maior projeto de infraestrutura do País – era considerada um grande teste do modelo adotado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e um exemplo para atrair mais municípios para novos leilões.

O leilão foi realizado na B3, a Bolsa de Valores de São Paulo, e contou com a participação do presidente Jair Bolsonaro e do ministro da Economia, Paulo Guedes. Ambos discursaram após a licitação e comemoraram o resultado. Apesar de um bloco ter dado vazio (sem participante), o leilão foi considerado bem sucedido. Os três lotes arrematados tiveram forte competição e exigirão investimentos de R$ 27 bilhões durante os 35 anos de contrato. 

A Aegea, empresa que tem como sócios a Equipav, Gic (fundo soberano de Cingapura) e agora Itaúsa, ganhou dois lotes e o consórcio formado entre grupo Iguá (do fundo canadense CPPIB e a gestora IG4) e Sabesp (estatal paulista que faz sua estreia fora do Estado), um. Os blocos 1 e 4, vencidos pela Aegea, tiveram maior competição e foram para o viva voz. No primeiro, a empresa ofereceu outorga de R$ 8,3 bilhões, com ágio de 103,13%, após quatro rodadas. O bloco 4, que teve nove rodadas no viva voz, terminou com lance de R$ 7,2 bilhões e ágio de 187,75%. A Iguá/Sabesp venceu o bloco 2 com proposta de R$ 7,2 bilhões e ágio de 129%. 

O último bloco, o 3, só tinha uma participante: a Aegea. E, pelas regras do leilão, como a empresa havia vencido outros dois blocos, ela tinha a opção de desistir do último. Foi o que ela fez e, assim, o lote deu vazio. O bloco está localizado em uma área mais delicada, dominada por milícias e, por isso, teria tido menos propostas.

Mas o diretor de Infraestrutura, Concessões e PPPs do BNDES, Fábio Abrahão, não viu o resultado como um problema e disse que o bloco será relicitado. “Essa será uma oportunidade para que outros municípios que não estavam entendendo bem a modelagem se juntar para a nova licitação. Se o governo quiser, podemos levar ainda este ano o ativo a leilão.”

Para o governador do Rio, Cláudio Castro, a concessão da Cedae é uma marco para um Estado que vem enfrentando tanto problemas. “Essa concessão é um recado para quem quer investir no Estado. É a prova de que estamos fazendo o dever de casa.” Segundo ele, o Rio e a Cedae não teriam condições de fazer os investimentos necessários para universalizar os serviços. 

No total, os três blocos licitados vão exigir investimentos de quase R$ 27 bilhões durante os 35 anos de contrato. Boa parte desse volume, cerca de R$ 25 bilhões, terá de ser aplicada na universalização dos serviços nos primeiros 12 anos de concessão, e R$ 12 bilhões nos primeiros cinco anos.

Efeito Cedae

Com o leilão da Cedae nesta sexta a participação da iniciativa privada já teve um avanço. No total, os investimentos previstos para a concessão vão universalizar os serviços de água e esgoto para 11 milhões de pessoas – esse número representa mais de um terço do total de clientes atendidos pela iniciativa privada, que respondem por 7% dos municípios atendidos no País e 26,3% da população. Com o leilão da Cedae, esses números sobem para 7,5% e 34,3%, respectivamente, segundo dados da Associação Brasileira das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto.

Além disso, para alguns vencedores do leilão, assumir os blocos representará dar um salto no tamanho da companhia. É o caso da Iguá, que deve dobrar em termos financeiros, afirmou o presidente da concessionária, Carlos Brandão. Outro ponto positivo, diz ele, é que essa concessão também coloca a companhia em outro patamar em termos de ESG (melhores práticas ambientais, sociais e de governança).

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