Coluna

Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

Commodities contaminam fundos

Expectativa era que elas protegessem o rendimento

Dow Jones Newswires, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2018 | 00h00

A tese de que as commodities são um elemento de diversificação nas carteiras de investimento está sob questionamento após as fortes quedas desta semana, em linha com os mercados financeiros. Normalmente, commodities ajudam a isolar os investidores de choques nos mercados de ações e títulos, por meio do que os especialistas chamam de "correlação negativa", ou seja, tendência de desempenho contrário ao observado nesses ativos. Não é o que está acontecendo desta vez. Até o fechamento de ontem, o índice de commodities Dow Jones-AIG acumulava queda de 6% no mês e variação praticamente nula no ano. Participantes da indústria ponderam que os benefícios de incluir metais, petróleo e produtos agrícolas em uma cesta de investimentos ainda vão se evidenciar. Eles acreditam que a atual desvalorização simultânea de commodities e de ações representa um abalo momentâneo e que a correlação negativa prevalecerá no longo prazo. "Os investidores em índices de commodities têm se concentrado nas correlações negativas de longo prazo, uma vez que se trata de um investimento de longo prazo", explica Dan Raab, diretor-gerente da AIG Financial Products.De acordo com Raab, no curto prazo, mercados de commodities como energia e metais industriais às vezes reagem a uma queda nos preços de ações se houver também receio de uma desaceleração econômica. Mas, explica o executivo, os movimentos de retração e expansão do ciclo econômico tendem a afetar commodities e ações em momentos diferentes. "O benefício da diversificação não vai deixar de existir apenas porque você está experimentando quedas no mercado", defende Eric Kolts, vice-presidente de índices de commodities da Standard & Poor''''s. Mesmo assim, observadores do mercado dizem que o principal argumento (o da correlação negativa) dos gestores de fundo para persuadir investidores a colocar recursos em commodities caiu por terra. "Se se puxa o tapete da economia americana, os efeitos são sentidos em todo o mundo. Isso deu aos investidores o direito de mudar sua concepção a respeito das commodities", afirma William Adams, analista da BaseMetals. De acordo com o analista do Deutsche Bank, Michael Lewis, o maior risco para os mercados de commodities é o de uma redução nas estimativas de crescimento econômico mundial por causa da atual crise.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.