Commodities devem salvar o superávit comercial, diz José Augusto de Castro

Presidente da Associação de Comércio Exterior alertou que a dependência brasileira das exportações de commodities, que representam 71% do montante exportado, tornou-se mais visível 

Alessandra Saraiva, da Agência Estado,

20 de julho de 2011 | 13h26

Preços em alta de commodities devem "salvar" o superávit comercial brasileiro este ano, na análise do presidente em exercício da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro.

Hoje, a entidade revisou as estimativas de comércio exterior para 2011, com superávit subindo levemente de US$ 26,100 bilhões para US$ 26,260 bilhões. As importações e as exportações este ano devem crescer praticamente na mesma magnitude, respectivamente 20,2% e 21,1% contra 2010. Mas o cenário nos dois setores não poderia ser mais diferente. Enquanto as compras externas são impulsionadas pelo dólar fraco, as vendas externas são concentradas em commodities, que têm procura forte no mercado internacional. "Se não houvesse esta boa demanda atual por commodities, as exportações brasileiras teriam um cenário diferente", afirmou.

Castro alertou que, este ano, a dependência brasileira das exportações de commodities, que representam 71% do montante exportado, tornou-se cada vez mais visível. Ele observou que, apesar do aumento previsto para as vendas externas, três commodities devem responder por 35,7% das receitas totais de exportação do Brasil até o final do ano: minério de ferro, complexo soja, e petróleo e derivados. No caso específico do minério, o produto deve responder por US$ 39,036 bilhões da receita, ou 15,96% dos ganhos totais do País com vendas externas este ano. Para o especialista, é alto o risco de uma "reprimarização" da economia brasileira, que pode voltar a se posicionar no mercado internacional apenas como fornecedor de matérias-primas. "No momento, estamos respondendo à boa demanda por commodities no cenário internacional. Mas o problema é que, se ocorrer algo no cenário externo, se a China reduzir sua demanda, não temos plano B", afirmou o executivo.

A ineficiência das medidas adotadas pelo governo para conter a demanda interna, anunciadas em dezembro do ano passado, também influenciou as revisões das estimativas da AEB. "Ainda temos forte demanda e, além disso, a oferta de crédito aumentou. Isso estimula a demanda por importações", comentou o especialista.

O dólar fraco e demanda interna forte também provocam redução no número de exportadoras; e avanço no de importadoras. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) citados por Castro atestam que 198 empresas deixaram de exportar de janeiro a maio deste ano; no mesmo período, surgiram 3.156 novas importadoras. "O número de importadoras até maio somou 31.688 empresas, mais que o dobro das exportadoras (14.631)", acrescentou o especialista. "As exportadoras cada vez mais perdem o fôlego", afirmou.

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