Commodities operam em alta; caminham para ganhos no trimestre

As commodities subiam nesta sexta-feira estimuladas pelo otimismo com as reformas do orçamento na endividada Espanha e por estímulos lançados por bancos centrais.

MANOLO SERA, Reuters

28 de setembro de 2012 | 10h20

Esperanças de que a China tome mais medidas para impulsionar sua economia também ajudavam, mas investidores estão cautelosos em meio a dificuldades da economia global.

O ouro deve registrar seu melhor trimestre em anos e o petróleo seu maior ganho em mais de um ano.

Os esforços de compra de títulos por Bancos Centrais dos Estados Unidos e Europa para impulsionar a frágil economia global elevaram os preços das matérias-primas nos últimos três meses, fazendo petróleo, ouro e cobre atingirem máximas de diversos meses.

O milho e a soja também estavam em curso para encerrar o trimestre com grandes ganhos, apesar de os preços terem recuado ante as máximas de agosto e setembro, com a pressão da colheita nos EUA superando as preocupações com a oferta, estimuladas pela forte seca nos Estados Unidos, maior exportador mundial. O trigo está no caminho para seu melhor trimestre desde 2010, com as expectativas de possíveis limites à exportação de grãos da Rússia.

O calendário detalhado da Espanha para reformas econômicas e um apertado orçamento de 2013, salpicado com cortes de gastos, levou as commodities e as ações a subirem nesta sexta-feira, embora os analistas estejam incertos sobre se o movimento ascendente será sustentado.

"A crise da zona do euro pode ter superado um obstáculo --a Espanha-- mas a situação de modo geral está longe de ter uma solução a longo prazo", disse Victor Shum, diretor da consultoria de energia, His Purvin & Gertz.

"Os EUA ainda estão lentos e temos notícias fracas sobre a China. O cenário econômico está longe de ser robusto. Se eu olho para o cenário econômico, a perspectiva imediata é baixista."

Os recentes dados econômicos norte-americanos apontam para uma recuperação desigual e a China, maior consumidor de petróleo e metais, viu seu vasto setor industrial encolher pelo décimo primeiro mês consecutivo em setembro.

O petróleo tipo Brent ganhava 62 centavos, a 112,63 dólares o barril por volta das 10h10 (horário de Brasília), indo para uma queda modesta no mês. No trimestre, no entanto, o contrato ganhou 15 por cento, maior alta desde o período entre janeiro e março de 2011, também ajudado pelos riscos de interrupção de oferta com as tensões entre o Irã e o Ocidente.

OURO

O contrato spot do ouro era cotado a 1.776 dólares a onça, no caminho para a sexta semana de alta consecutiva --maior sequência de ganhos semanais em mais de um ano. Os preços também devem ter o aumento mensal mais firme desde janeiro.

Para o trimestre, o metal precioso teve ganho de mais de 11 por cento, melhor performance desde o período entre abril e junho de 2010, à medida que esforços de estímulo melhoraram a aparência do metal como hedge contra a inflação.

"Definitivamente não há razão para o ouro voltar ao nível de 1.500 dólares", disse Yuichi Ikemizu, chefe de trading de commodities do Standard Bank, no Japão.

"Eu não vejo o ouro tendo uma alta espetacular agora, mas em direção ao final do ano, é provável que atinja o nível de 1.900 dólares."

O cobre era cotado a 8.247 dólares por tonelada, e no mês registrou ganho de 8,4 por cento, segunda melhor alta mensal no ano.

As esperanças de que a China, que consome cerca de 40 por cento do cobre refinado do mundo, lançaria mais medidas para acelerar o crescimento econômico, ajudaram nos preços.

A China terá um feriado nesta semana, mas um conselheiro do Banco Central do país disse que Pequim subestimou severamente a desaceleração econômica global deste ano.

No mercado de grãos, a soja em Chicago operava em queda após a divulgação do relatório trimestral do USDA, enquanto o milho subia.

O milho e a soja estão olhando para seu pior mês em um ano, cada um com uma perda de cerca de 10 por cento, enquanto o ritmo recorde da colheita faz preços recuarem, após a seca que elevou os preços a máximas recordes em agosto e setembro.

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