Commodities podem ser o próximo vilão da inflação

Um dos principais vilões do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) em julho foi o grupo Alimentação e Bebidas, impactado fortemente pelos produtos in natura. E se esse efeito, teoricamente, tende a ser passageiro, deve ser substituído por outros focos de pressão nos próximos meses, como a atual alta das commodities, que já afeta a inflação no atacado, e pelo possível fim da redução do IPI para veículos após agosto. Essa é a avaliação do economista sênior do Besi Brasil, Flávio Serrano.

MÁRCIO RODRIGUES, Agencia Estado

20 de julho de 2012 | 13h38

O grupo Alimentação e Bebidas passou de uma alta de 0,66% em junho para +0,88% em julho, o equivalente a um impacto de 0,20 ponto porcentual no IPCA-15 deste mês - 61% do índice. O IPCA-15, divulgado na manhã desta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), subiu 0,33% em julho, de 0,18% em junho.

E os problemas climáticos que prejudicaram a lavoura de diversos produtos fizeram o tomate sair de uma alta de 19,48% para 29,30% no período. Outros itens que pesaram mais foram cenoura (de -1,11% para +13,63%), batata inglesa (de 6,70% para 11,78%) e o pão francês (de 0,14% para 1,67%, em função de aumentos nos custos dos insumos, como o trigo).

Vale lembrar que na segunda prévia do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), anunciada ontem pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e que atingiu 1,11%, o tomate mostrou alta de 79,14%. Ou seja, deve subir ainda mais dentro dos IPCs.

"Mais à frente, ainda que estes itens voltem a cair, o avanço atual de commodities como soja e milho deve afetar o IPCA, mesmo que de forma indireta", afirmou Serrano. "Outra possível pressão virá dos preços dos veículos, caso o governo não prorrogue a redução do IPI. Mesmo com deflação menor do que a prevista, os veículos tiraram 0,12 ponto porcentual deste IPCA-15", continuou Serrano em referência à queda de 2,47% no preço de carros novos e de 2,45% no de usados. O grupo Transportes ainda registrou deflação, embora os preços tenham recuado menos (de -0,77% para -0,59%).

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