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Como a Netshoes virou um negócio disputado: o segredo está nos dados

Apesar de a empresa operar no vermelho, Magazine Luiza e Centauro estão atrás das informações sobre clientes da varejista online

Fernando Scheller e Mônica Scaramuzzo, O Estado de S. Paulo

29 de maio de 2019 | 17h36

Por que um negócio que dá prejuízos há anos, perdeu quase todo o seu valor na Bolsa e enfrentaria até problemas de estoque passou a ser alvo da disputa entre duas das maiores varejistas do País, a Centauro e a Magazine Luiza? Segundo fontes próximas às negociações ouvidas pelo Estado, a resposta está nos dados.

Varejista online "puro sangue" pioneira e dona também da marca Zattini, de roupas femininas, a Netshoes desenvolveu, graças aos anos de investimento em ganho de escala, mesmo sem dar resultado, uma inteligência sobre consumo de moda na internet que nenhuma outra empresa brasileira hoje possui, dizem fontes ligadas às negociações.

É por isso que, nas últimas semanas, a empresa se tornou alvo de uma briga acirrada. Depois de o Magazine Luiza fazer uma proposta de US$ 62 milhões (mais de R$ 240 milhões), em 29 de abril, a Netshoes parecia ter destino certo.

Na semana passada, porém, a varejista Centauro, que hoje obtém cerca de 18% de seu faturamento das vendas pela internet, ampliou o valor para US$ 87 milhões. No domingo, 26, o Magazine veio como uma proposta de US$ 93 milhões. Na quarta-feira, 28, foi a vez da Centauro ofertar US$ 108,7 milhões (R$ 435 milhões), uma diferença de mais de 70%.

Além dos números

Analistas consultados pelo Estado disseram que o valor da Netshoes, neste momento, vai além de seu balanço. Em 2018, a companhia teve prejuízo de R$ 321 milhões, mais do que dobrando o resultado negativo de 2017.

As ações da companhia, que estrearam no mercado financeiro em abril de 2017, valendo US$ 16,35, eram negociadas à época da proposta do Magazine Luiza a pouco mais de US$ 2. Desde o início da disputa de Magazine Luiza e Centauro, o papel ganhou valor e está na casa de US$ 3,70. A alta desde a semana passada foi de 88%.

Segundo fontes próximas ao assunto, a escala e as informações detidas pela Netshoes podem ser úteis às duas empresas que querem comprá-la. O Magazine Luiza teria o projeto de se tornar uma espécie de Amazon à brasileira, ampliando as linhas de produtos que oferece. Já o Grupo SBF, da Centauro, atua em um segmento mais próximo ao da Netshoes.

Como a varejista online fundada por Marcio Kumruian já enfrenta problemas operacionais, um dos trunfos da Centauro seria oferecer apoio de estoque à companhia no curto prazo, apurou o Estado. Para a Centauro, a Netshoes seria uma forma de ampliar também a venda do tipo "compre na web, retire na loja". A empresa teria a intenção de manter a marca Netshoes.

Análise

Diante da nova proposta da Centauro, a Netshoes anunciou na noite desta quarta-feira o adiamento da assembleia que estava marcada para esta quinta-feira, 30, em que seria analisada a proposta mais recente do Magazine Luiza. / COLABOROU FLAVIA ALEMI

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