Como aproveitar melhor o 13.º salário

Como os juros no Brasil são elevadíssimos, a primeira providência recomendada pelos analistas é livrar-se deles. Para se ter uma idéia, no cheque especial, as taxas variam de 2,1% a 10,5% ao mês, ou de 28,32% a 231,4% ao ano. No cartão de crédito, a situação é ainda pior: a taxa varia de 6,5% a 12,9% ao mês, ou entre 112,91% e 328,87% ao ano. Assim, antes de sair às compras ou fazer aplicações financeiras, deve-se quitar todas as dívidas e prestações. Também não se deve esquecer das despesas extra de início de ano, que exigem uma reserva de parte dos recursos do 13º."Pagar as pendências no cheque especial e no cartão de crédito e quitar as dívidas para que estas não se acumulem para o ano seguinte: essa é a melhor aplicação para o salário extra (o 13.o)", aconselha o diretor da Associação dos Direitos Financeiros do Consumidor (Pro-Consumer), Fernando Scalzilli. O vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel José Ribeiro de Oliveira concorda. "Para quem está no vermelho do cheque especial ou cartão de crédito ou está amarrado a prestações de produtos adquiridos por meio de crédito direto ao consumidor, a melhor opção é esquecer as aplicações e utilizar o abono para quitar as dívidas", afirma.O diretor de investimentos do Lloyds TSB, Eduardo Palma, lembra que os compromissos do início do ano, como pagamentos de IPVA, matrículas escolares e IPTU, devem ser garantidos com parte do décimo terceiro. "Esse dinheiro pode ser aplicado em DI para financiar as dívidas de janeiro e fevereiro", diz. Além disso, ele diz que, se não der para resistir às compras de Natal, é bom dar preferência para o pagamento à vista, já que o parcelamento faz com que novas dívidas sejam contraídas.Quem quita antecipadamente o financiamento tem direito a descontoO consumidor também direito automático à redução proporcional dos juros do contrato nos casos de pagamento antecipado de parcelas. O técnico de assuntos financeiros do Procon-SP, Cláudio Lima, diz que as financeiras são obrigadas a reduzir os juros incidentes nas parcelas se o cliente resolver antecipar algumas delas, mesmo que esse desconto não conste do contrato. Esse é um direito automático previsto no artigo 52 do Código, que diz: "é assegurada ao consumidor a liquidação antecipada do débito, total ou parcialmente, mediante redução proporcional dos juros e demais acréscimos".Vale a pena poupar uma parte do 13ºPara quem já quitou as dívidas e quer guardar dinheiro para comprar um carro ou fazer uma viagem, o indicado é aplicar uma parte do 13.o em investimentos de curto prazo, de um ano. O economista-chefe do ABN Asset Management, Hugo Penteado, diz que o melhor é fazer investimentos de baixo risco, voltados 100% para DI. "Como o investidor vai querer resgatar aquele dinheiro logo, é arriscado aplicar na bolsa. Temos dados mostrando que os riscos de perda para resgates de fundos de renda variável no curto prazo são bem altos." Mas para fazer uma reserva sem perspectiva de saque, pode-se tentar um investimento de longo prazo e arriscar uma rentabilidade maior. O diretor do Lloyds sugere aplicações em PGBL e fundos de ações. "Se o dinheiro não tiver destino certo, pode-se fazer investimentos em planos de previdência ou em carteira de ações. No caso do plano de previdência, o ideal seria fazer um aporte maior utilizando o décimo terceiro e manter parcelas mensais de valores mais baixos", explica. "Se a idéia for adquirir ações, é aconselhável checar a instituição, conhecer a carteira e avaliar a viabilidade da taxa de administração".

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