Como as agências de risco avaliam o Brasil

Nas últimas semanas, três agências de classificação de risco promoveram o Brasil na escala que avalia se o País é investimento seguro ou não. Se essa avaliação prosseguir em alta, muitos fundos de investimento institucionais, que não podem aplicar nos títulos brasileiros, que ainda recebem a classificação de "especulativos", serão autorizados por seus bancos centrais a investir aqui. Esse foi o tema do programa Espaço Aberto, da Globo News, debatido pela presidente da Standard & Poor´s no Brasil, Regina Nunes, e pelo economista do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), Armando Castelar.Segundo a presidente da S&P no Brasil, a avaliação melhorou devido aos resultados obtidos com as exportações, que apontam para um superávit recorde no balanço de pagamentos, além da volta do crescimento econômico, com a inflação sob controle, e a superação de vários problemas, especialmente o da desconfiança que o governo petista despertava entre analistas e investidores.Razões da demoraPara o economista do Ipea, as agências de risco sempre chegam depois das avaliações feitas pelo mercado. De qualquer forma, ele acentuou que existem motivos para que o Brasil continue despertando reservas para obter o "investment grade", sobretudo por sua excessiva dívida pública, se comparada com o PIB. Além disso, o Brasil é ainda muito pouco integrado à economia mundial, com um volume de comércio externo relativamente pequeno. "Quando se olha os indicadores que medem o risco (de default), as agências não estão completamente fora da linha. Acho que os nossos relacionamentos externos estão melhores, nossa questão externa melhorou bastante, sem dúvida alguma, e acho que a questão política é importante." Neste particular, Castelar lembrou que o PT tinha, historicamente, um discurso que inclusive defendia a moratória. Mas ele considera que o País está no rumo certo. "Acho que, pelos indicadores, a gente pode perfeitamente ter um cenário positivo para os próximos anos."Razões de otimismoPara Regina Nunes, o Brasil pode obter o "investment grade" com uma certa rapidez, embora sua economia ainda possua variáveis bastante complexas, "exatamente por ser um país grande, diversificado". A presidente da S&P disse que não existem países invulneráveis, embora muitos sejam bem menos expostos do que o Brasil. Neste sentido, acentuou a importância de sejam adotadas medidas para a redução da informalidade, para a descomplicação do sistema tributário, para o incentivo do sistema produtivo e ter uma taxa de juros menor.Dívida-PIB Para Armando Castelar, a redução da relação dívida-PIB vai depender da disciplina fiscal e da política monetária. "São duas ferramentas que você pode substituir uma pela outra; usar mais a fiscal para relaxar mais a monetária. "Acho que existe espaço para ir reduzindo os juros. Se quiser fazer o PIB andar mais rápido, a gente vai reduzir a dívida mais rápido. Mas é preciso fazer todas as reformas de que o Brasil precisa fazer: a questão fiscal da Previdência, a reforma do Judiciário, acertar o marco regulatório e essas incertezas que ainda existem, não na área macro, mas na política regulatória e nas outras políticas do governo. Essas não desapareceram em 2003. Se a gente conseguir fazer o PIB andar mais rápido e apertar mais a política fiscal, entremos num ciclo virtuoso e poderemos nos dar ao luxo de pagar juros mais baixos", disse Castelar.

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