Lucas Jackson/ Reuters
Lucas Jackson/ Reuters

Como é calculado o indicador de incerteza da economia da FGV

Índice atingiu o ponto mais alto em setembro de 2015, quando atingiu 136,8 pontos

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

14 de outubro de 2019 | 12h29

RIO - O Indicador de Incerteza da Economia (IIE-Br) entrou para o calendário de índices da Fundação Getulio Vargas (FGV) em dezembro de 2016, depois de ser anunciado, em caráter experimental, em junho daquele ano. A primeira divulgação experimental registrou 117,6 pontos em maio de 2016, 12,3% acima de um ano antes, como revelou o Estadão/Broadcast. Era o mais alto nível do IIE-Br desde o ápice da crise internacional de 2008, após a quebra do banco de investimentos Lehman Brothers, em setembro daquele ano.

Ao desenvolver o IIE-Br, a FGV compôs uma série histórica desde 2000. Pela série atualizada, os picos de outubro de 2002 (132,1 pontos), na primeira eleição de Luiz Inácio Lula da Silva para a presidência da República, e de outubro de 2008 (123,4 pontos), em meio à crise internacional, foram detonados em setembro de 2015 (136,8 pontos), quando a economia brasileira afundava na recessão de 2014 a 2016.

Inspirado em indicadores similares dos Estados Unidos - como o desenvolvido pelos economistas Scott R. Baker, da Universidade do Noroeste, em Illinois, Nicholas Bloom, da Universidade Stanford, e Steven J. Davis, da Universidade de Chicago -, o IIE-Br pretende medir o nível de incerteza na economia.

No desenho inicial, o indicador tinha três fontes que compunham seus subíndices. A primeira é o noticiário sobre economia. Nos textos dos principais jornais do País, entre veículos impressos e online, é medida a frequência com que são citadas palavras com os radicais “incert-” e “econ-”, entre outros. Também são buscadas expressões como “crise + economia” e “incerteza + economia” nas notícias. Quanto mais esses termos aparecem maior a incerteza, traduzida no índice IIE-Br Mídia.

O segundo componente são as expectativas. Inicialmente, eram medidas tanto pelos indicadores de confiança da FGV quanto por uma análise das projeções de economistas para a inflação e o câmbio, captadas no Boletim Focus, publicado pelo Banco Central (BC). O subíndice IIE-Br Expectativa foi construído para traduzir a disparidade entre as projeções - quanto maior a disparidade, maior a incerteza. Hoje, o IIE-Br é calculado a partir da média dos coeficientes de variação das projeções do Boletim Focus, apenas.

A terceira componente do desenho inicial do IIE-Br era a volatilidade do Ibovespa, principal índice de ações da Bolsa, mas esse item foi retirado do cálculo a partir de agosto de 2017, informou Pedro Guilherme Costa Ferreira, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre/FGV). “Não queríamos misturar incerteza com risco, o que poderia acontecer com o Ibovespa, e, em segundo lugar, porque essa informação não era significante para explicar a incerteza no Brasil”, disse Ferreira.

No desenho inicial, o subíndice referente à volatilidade do Ibovespa pesava 10% do IIE-Br. Com a mudança, o IIE-Br Mídia hoje responde por 80% do indicador e o IIE-Br Expectativa, por 20%. Segundo Ferreira, toda a série histórica foi reestimada para contemplar a nova composição.C

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