Como esperado, BCE eleva taxa de juro para 4,25% ao ano

Trata-se da primeira elevação em mais de um ano por conta da alta da inflação que atinge a zona do euro

NATHÁLIA FERREIRA, Agencia Estado

03 de julho de 2008 | 08h51

O Banco Central Europeu (BCE) elevou nesta quinta-feira, 3, a taxa básica de juros na zona do euro (15 países europeus que compartilham a moeda) em 0,25 ponto porcentual, para 4,25% ao ano, conforme esperado pelo mercado. Trata-se da primeira elevação em mais de um ano por conta da inflação em alta.   Veja também:  Europa registra a maior inflação no atacado desde 1990 A decisão era amplamente esperada desde que o presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, afirmou no mês passado que havia a possibilidade de reajuste da taxa e também por causa da inflação na região, que atingiu o patamar recorde de 4%, na comparação anual, em junho.   Trichet destacou que as taxas de inflação harmonizadas (HICP, na sigla em inglês) continuaram subindo significativamente e devem permanecer acima do nível consistente com estabilidade de preços por um período mais prolongado. "Esse nível preocupante de inflação resulta amplamente dos fortes aumentos nos preços de alimentos e energia, em nível global, nos últimos meses", disse ele.   Segundo Trichet, a postura da política monetária seguindo a decisão desta quinta contribuirá para alcançar o objetivo de manter a estabilidade de preços. Ele acredita que a inflação deverá ficar bem acima de 2% por algum tempo, moderando apenas gradualmente em 2009.   Ele alertou os produtores de bens e serviços contra repassar mais aumentos de preços para os consumidores. Os negociadores de salários também foram alertados para manter moderação e conter uma segunda rodada de pressões de preços. Segundo Trichet, o BCE vai "monitorar bem de perto" todos os desdobramentos nas tendências de preços.   O presidente do BCE, adotou, porém, uma postura mais balanceada ao falar sobre a política monetária. Ao ser questionado se o BCE acredita que mais aperto pode ser necessário nos próximos meses, Trichet disse que "a partir daqui, não tenho viés". Segundo analistas, como o tom de Trichet foi menos agressivo, o mercado interpretou que não haverá apertos monetários adicionais. Em reação aos comentários de Trichet, o dólar passou a subir em relação ao euro e as bolsas européias entraram no terreno positivo.   PIB   Trichet disse ainda que as informações que surgiram depois da coletiva de imprensa que ele concedeu em junho confirmam "nossa expectativa anterior de crescimento real do PIB mais fraco no segundo trimestre de 2008, em parte em reação técnica ao forte crescimento de 0,8% no primeiro trimestre sobre o trimestre anterior".   Apesar de prever moderação no crescimento econômico, Trichet declarou que "espera-se que tanto a demanda doméstica quando a externa sustentem crescimento real do PIB na zona do euro em 2008, embora em extensão menor que em 2007".   Ele afirmou ainda que embora esteja perdendo força, o crescimento da economia mundial deve continuar resiliente, beneficiando-se "em particular do contínuo crescimento robusto nas economias emergentes. Isto deve sustentar a demanda externa à área do euro".   Crédito   O presidente do BCE também afirmou que o crescimento dos empréstimos bancários para corporações não financeiras continuou muito robusto, apesar da alta nas taxas de juros de curto prazo. "Embora alguma moderação possa acontecer no futuro, em virtude do aperto das condições de financiamento e de crescimento econômico mais moderado, os empréstimos bancários na zona do euro por parte de corporações não financeiras cresceu a uma taxa anual de 14,2% em maio de 2008, e o fluxo de empréstimos nos meses recentes foi forte".   Texto atualizado às 15 horas   (com Reuters)

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