Como fazer bom uso do 13º salário

Antes de sair gastando compulsivamente o dinheiro da primeira parcela do 13.º salário, que será paga quinta-feira, o trabalhador deve fazer um raio X de sua vida financeira. Isso vai evitar que os recursos recebidos sejam empregados incorretamente. Assim, será mais fácil decidir o que fazer com o dinheiro: investir, pagar dívidas, comprar bens, etc. Segundo analistas, o ideal é dar prioridade às contas a pagar sujeitas à cobrança de juros exorbitantes.Se a opção for o consumo, é bom ser cauteloso e evitar contrair dívidas com prazos dilatados. Além de os juros estarem nas alturas, o cenário econômico está carregado de incertezas. Mas, se o destino do dinheiro for o mercado financeiro, o investidor terá de avaliar sua disposição para correr riscos e o tempo de permanência na aplicação.No curto prazo (menos de seis meses), segundo o diretor-presidente da Money Markers Investiment Adviser, Fábio Colombo, as opções ficam restritas aos tradicionais fundos DI e de renda fixa. Em caso de horizontes acima de um ano, desde que aceite enfrentar algum risco, o aplicador pode aproveitar os baixos preços das ações para alocar parcela de seu capital no mercado acionário, por meio de um fundo.Para quem está com dívidasMas para quem está no vermelho do cheque especial ou cartão de crédito ou está amarrado a prestações de produtos adquiridos por meio de crédito direto ao consumidor, a melhor opção é esquecer as aplicações e utilizar o abono para quitar as dívidas, afirma o vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel José Ribeiro de Oliveira.A justificativa é que os juros mensais cobrados no mercado são muito elevados. No cheque especial, as taxas variam de 2,1% a 10,5% ao mês, ou de 28,32% a 231,4% ao ano. No cartão de crédito, a situação é ainda pior: a taxa varia de 6,5% a 12,9% ao mês, ou entre 112,91% e 328,87% ao ano. Segundo o matemático José Nicolau Pompeu, um correntista que esteja pendurado em R$ 1 mil no cheque especial, cuja taxa de juro seja de 5% ao mês, ao fim de seis meses teria seu débito aumentado para R$ 1.340,10. No cartão, com uma taxa de 8% ao mês, a dívida pularia para R$ 1.586,87.No mercado, nenhuma aplicação de renda fixa consegue oferecer rentabilidade que se aproxime desses juros. Para ter idéia, os fundos DI, que são os mais conservadores, e os de renda fixa remuneram o investidor em média com 1,24% ao mês. Numa aplicação de R$ 1 mil por seis meses, o investidor teria apenas R$ 1.076,74.Para quem não está cheio de dívidas no cheque especial ou cartão de crédito, a dica é utilizar o dinheiro da primeira parcela do 13.º salário para antecipar o pagamento de prestações de bens e serviços adquiridos por meio de crédito direto ao consumidor. Nesse caso, diz Oliveira, da Anefac, o consumidor tem direito à redução proporcional dos juros embutidos nas parcelas. Um consumidor que antecipar um pagamento de R$ 900,00, referente a três parcelas com juros de 3% ao mês, terá direito a desconto de R$ 51,42, diz. O valor da dívida cairia, no caso, para R$ 848,58.Veja quarta-feira no Finanças Pessoais uma série de reportagens sobre o 13º salário.

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