Como fazer mais com menos energia

Paolo Faraboschi é "distinguished technologist" dos HP Labs. Ele comanda o grupo de pesquisa de Barcelona e, no mês passado, visitava o centro de tecnologia da empresa em Porto Alegre. O motivo de sua visita ao Brasil foi o 44.º Simpósio Internacional de Microarquitetura, realizado na cidade.

PORTO ALEGRE, O Estado de S.Paulo

15 de janeiro de 2012 | 03h04

Sua pesquisa inclui processadores de baixo consumo de energia, para serem usados em grandes centros de dados. Em outubro, a HP anunciou, nos Estados Unidos, uma parceria com a fabricante de chips americana Calxeda, que usa tecnologia da britânica ARM, a mesma encontrada em processadores de celuloras e tablets. Além de ter um consumo menor de energia, esses chips permitem construir servidores que ocupam menos espaço.

Segundo Faraboschi, o trabalho desenvolvid com a Calxeda é baseada em pesquisas anteriores do HP Labs.

A HP não fabrica semicondutores, apesar de a área de pesquisa do tecnologista envolver o design de chips. Existe tecnologia desenvolvida pela HP que foi licenciada a fabricantes de chips? "Não posso comentar esse assunto", respondeu o pesquisador.

Nuvem. Uma das principais tendências do mercado de tecnologia da informação hoje é a computação em nuvem, em que o software e a infraestrutura de tecnologia deixam de estar disponíveis localmente, e acabam vindo por meio da rede. A internet costuma ser representada por uma nuvem nos esquemas desenhados pelo pessoal de tecnologia.

A computação em nuvem cria a necessidade de se instalar centro de dados cada vez maiores. Empresas como o Facebook ou a Amazon dependem de milhares de servidores rodando em paralelo. Com isso, o consumo de energia e o espaço que essas máquinas ocupam passam a ser um fator importante.

Em novembro, a HP anunciou o projeto Moonshot, que usará os chips da Calxeda em servidores para grandes data centers. Esses produtos, que devem chegar ao mercado em meados deste ano, prometem reduzir o consumo de energia em 89%. e o espaço ocupado em 94%.

Segundo Faraboschi, sua pesquisa tem como objetivo integrar o servidor em máquinas cada vez menores, que consumam menos energia. Apesar do acordo com a Calxeda, ele apontou que a maior parte do trabalho tem como base chips da Intel e da AMD. Os chips com tecnologia ARM não são compatíveis.

Segundo Cirano Silveira, diretor de pesquisa e desenvolvimento da HP Brasil. 7 mil servidores são ativados todos os dias. Algumas pesquisas mostram que, para cada 150 celulares ativados, é necessário instalar um novo servidor.

Silveira destacou que, para os trabalhadores do centro, um dos atrativos é receber pesquisadores como Faraboschi, que estão definindo as tendências do setor de tecnologia da informação, e ter a oportunidade de conversar com eles.

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